Greve iniciada em 10 de setembro permanece sem prazo após bancários rejeitarem proposta da Caixa. Em SP/Osasco 68% votaram contra; sindicatos apontam o Saúde Caixa e tentam reabrir negociações.
Os empregados da Caixa Econômica Federal decidiram manter a paralisação iniciada em 10 de setembro, após rejeitarem, em assembleias por todo o país, a proposta final apresentada pela direção do banco. A greve segue sem previsão de encerramento enquanto as entidades sindicais tentam reabrir a mesa de negociação.
Na base que reúne São Paulo, Osasco e região, 68% dos votantes optaram pelo “não” em reunião virtual encerrada às 23h de 11 de setembro. Segundo os sindicatos, a principal controvérsia recaiu sobre o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos funcionários. A oferta do banco previa mudanças no modelo de custeio e nas regras de coparticipação.
Antes da votação, a instituição declarou que aquele era o texto final e indicou a possibilidade de recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho caso houvesse recusa. Agora, a administração avalia a apresentação de dissídio coletivo para que a Justiça fixe condições que ponham fim ao impasse. Apesar do revés, a Caixa afirmou manter o diálogo aberto com os representantes dos trabalhadores.
A mobilização começou após a rejeição de um texto anterior para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), mais de 90% das assembleias em todo o país já haviam recusado aquela primeira proposta. Em vários estados, agências permaneceram fechadas, mas caixas eletrônicos continuaram em funcionamento.
Proposta rejeitada
- R$ 3 mil de prêmio por empregado;
- 18 de setembro: pagamento de salário reajustado, Participação nos Lucros e Resultados (PLR), Super Caixa e prêmio;
- 8% de limite para a participação do banco no custeio do Saúde Caixa (antes 6,5%);
- Antecipação das parcelas da 13ª mensalidade referentes a 2028, 2029 e 2030;
- Pagamentos de valores relativos ao PAMS a partir de 2027;
- R$ 236 milhões em ações de prevenção à saúde a partir de janeiro de 2027;
- Grupos de trabalho destinados a discutir eficiência e fontes de financiamento do plano.
Saúde Caixa: principais mudanças propostas
- 2,3% a 4,1% de contribuição sobre o salário-base, variando pela faixa etária;
- R$ 480 a R$ 660 por dependente, conforme a idade;
- Teto anual de coparticipação passaria de R$ 3,6 mil para R$ 4,8 mil por família;
- Limite global de 9% para o grupo familiar;
- Piso de R$ 50 por beneficiário;
- 13 mensalidades ao ano;
- Pronto-socorro: consulta subiria de R$ 75 para R$ 150, fora do teto;
- Telemedicina: coparticipação zerada;
- Recadastramento anual obrigatório;
- Janela de 90 dias para reingresso de titulares atualmente fora do plano, sem possibilidade de retorno após novo cancelamento.
Em caso de continuidade da greve, a instituição recomenda que os clientes priorizem canais eletrônicos e parceiros.
Canais de atendimento disponíveis
- Aplicativo Caixa;
- Internet Banking;
- WhatsApp Caixa;
- Caixa Tem e demais apps (Cartões, Habitação, DPVAT, FGTS);
- Caixas eletrônicos e rede Banco24Horas;
- Lotéricas e correspondentes Caixa Aqui;
- Alô Caixa: 4004-0104 (capitais) e 0800-104-0104 (demais localidades).
No Banco do Brasil, o cenário difere. A maioria das bases sindicais aceitou a proposta patronal e permaneceu em atividade normal no dia 11. Contudo, 18 bases ainda continuam em paralisação parcial.
Os próximos passos dependem da reabertura das negociações ou de eventual decisão judicial. Enquanto isso, clientes e funcionários acompanham os desdobramentos de um impasse que envolve salário, saúde e condições de trabalho em uma das maiores instituições financeiras públicas do país.
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