O pré-candidato do PT ao Palácio dos Bandeirantes, Fernando Haddad, definiu nesta quinta-feira (25/06) que o ex-ministro Márcio França (PSB) será o seu companheiro de chapa na disputa pelo governo de São Paulo. O anúncio, feito após sucessivas reuniões em Brasília, consolida a principal jogada política da aliança entre PT e PSB para tentar conter o favoritismo do atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), primeiro colocado nas pesquisas mais recentes.
A escolha ganhou força nos encontros que Haddad manteve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o vice-presidente Geraldo Alckmin, ambos defensores de uma composição com perfil moderado. Segundo interlocutores, Lula já havia sinalizado no fim de maio que via em França o nome ideal para ampliar o diálogo com setores do centro e do eleitorado conservador do estado.
“Me sinto honrado pela confiança desses três colegas de ministério e me comprometi a formalizar o convite até amanhã”, declarou Haddad na véspera, ao listar França, Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) como voluntários à vice.
A confirmação desta quinta-feira chegou depois de intensas negociações. França resistia à ideia porque planejava concorrer ao Senado. Com Simone Tebet já praticamente garantida em uma das vagas, ele disputava internamente o outro espaço com Marina Silva. O Palácio do Planalto, porém, avaliou que a presença do ex-ministro do Empreendedorismo na chapa majoritária poderia atrair eleitores fora do campo tradicional da esquerda e reduzir a possibilidade de vitória de Tarcísio ainda no primeiro turno.
Ao aceitar o convite, França abriu caminho para que Tebet e Marina consolidem as próprias pré-candidaturas ao Senado. A articulação é vista como estratégica: reforça o palanque lulista em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, e garante palanque duplo nas disputas majoritárias federais.
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O tabuleiro paulista havia mudado nos últimos dias com as desistências de Paulo Serra (PSDB) e Kim Kataguiri (Missão) de disputar o governo. França chegou a testar uma candidatura própria argumentando que a falta de terceira via poderia facilitar a reeleição de Tarcísio de Freitas no primeiro turno. Assessores de Haddad, no entanto, ponderaram que a divisão de votos no campo progressista tornaria a jornada ainda mais difícil.
Pesquisas internas apontam Tarcísio na liderança, seguido por Haddad. A entrada de França como vice busca justamente reduzir essa diferença, explorando sua popularidade no litoral e no interior paulista, onde foi governador interino e disputou cargos majoritários com desempenho expressivo.
Nos bastidores, aliados de esquerda celebraram o desfecho como demonstração de unidade. Dirigentes regionais do PSB já se mobilizam para agendas conjuntas, enquanto o PT planeja intensificar a presença de Lula em atos no estado até o início oficial da campanha. Haddad, por sua vez, reforçou que o plano de governo continuará sendo elaborado a partir de contribuições de especialistas em educação, mobilidade e geração de empregos.
Com a chapa fechada, a coligação promete divulgar nas próximas semanas um programa focado em combate à fome, incentivo à economia verde e redução de desigualdades regionais. As convenções partidárias que oficializarão a aliança estão marcadas para julho e devem reunir lideranças nacionais em São Paulo.
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