O petista Fernando Haddad revelou perceber um clima de apreensão entre cidadãos de oposição à direita. Prefeitos, policiais e professores relataram a ele o receio de expor opiniões publicamente.
O ex-ministro da Educação e pré-candidato ao governo paulista, Fernando Haddad (PT), concedeu entrevista ao programa Direto ao Ponto, veiculado na noite desta segunda-feira, 22/06. Durante a conversa, o petista relatou que percebe um ambiente de apreensão entre cidadãos que manifestam posições políticas distintas das defendidas pela direita.
De acordo com Haddad, a cautela se tornou visível em diferentes esferas da sociedade, de agentes públicos a profissionais da iniciativa privada. Ele mencionou relatos de prefeitos, policiais e professores que, segundo ele, sentem receio de expor opiniões por temerem represálias.
“As pessoas me confidenciam que têm medo de enfrentar a extrema direita. Há muita violência do outro lado”, declarou o pré-candidato.
O ex-prefeito da capital paulista sustentou que o problema não se resume às redes sociais. Segundo ele, o clima de hostilidade transborda para a vida cotidiana e afeta o debate público. Haddad afirmou que, em suas campanhas anteriores, já sofreu ataques, mas que a escalada de agressividade atingiu novo patamar nos últimos anos.
Na avaliação do petista, a intimidação limita o fluxo de ideias indispensável ao processo democrático. Ele ressaltou que um dos maiores desafios para as próximas eleições será criar condições de segurança para o debate entre posições divergentes. “Quando a pessoa sabe que pode ser perseguida pelo que pensa, tende a se calar”, comentou.
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Questionado sobre estratégias de campanha, Haddad respondeu que pretende investir em diálogo nos bairros da Região Metropolitana e do interior. O pré-candidato defendeu a retomada de agendas presenciais, mesmo reconhecendo as dificuldades impostas pelo ambiente descrito.
“Você pode me criticar à vontade, ninguém do meu lado vai impedir que seja ouvido. O mesmo, infelizmente, não acontece do outro lado”, disse.
Haddad também comentou a importância da atuação de instituições fiscais e de segurança para preservar o livre exercício de opinião. Ele sugeriu que entidades de classe, partidos e autoridades policiais trabalhem de forma coordenada para coibir eventuais excessos e garantir a tranquilidade do processo eleitoral.
Ao final da entrevista, o ex-ministro reiterou que disputará o Palácio dos Bandeirantes defendendo temas como recuperação econômica, ampliação de políticas educacionais e fortalecimento das universidades paulistas. Ele acrescentou que enxerga potencial para “virar o jogo” mediante diálogo e propostas consistentes.
Nas próximas semanas, Haddad deverá intensificar encontros regionais para apresentar seu plano de governo. A pré-campanha, segundo sua assessoria, concentrará esforços em cidades de médio porte onde o petista ficou atrás de adversários no pleito de 2022.
Apesar das preocupações levantadas, Haddad afirmou continuar confiante na capacidade do eleitorado de distinguir projetos e exercer o voto livremente. Para ele, o principal antídoto contra a intimidação ainda é “falar com as pessoas cara a cara”.
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