Com a chapa formada ao lado de Márcio França (PSB), o pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), já definiu o roteiro para os próximos meses de campanha. A equipe avalia que há espaço para crescimento em áreas específicas da capital e em polos estratégicos do litoral e do interior, e decidiu concentrar esforços onde os trackings internos apontam maior potencial de voto.
Na capital, duas regiões são consideradas prioritárias. A Zona Leste, descrita como território em disputa após o desempenho expressivo de Pablo Marçal na eleição municipal de 2024, aparece como a principal frente de expansão. Paralelamente, a Zona Sul, onde o prefeito Ricardo Nunes (MDB) conquistou índices elevados de apoio, também entra no radar dos petistas. A coordenação acredita que ainda existe margem para Haddad ampliar presença nesses bairros.
O plano inclui ações intensivas na Baixada Santista e em Campinas. A proximidade de Márcio França com o eleitorado litorâneo é vista como um trunfo decisivo.
“A expectativa é que a presença de França fortaleça nossa atuação na Baixada, onde ele construiu sua trajetória política”, relatou um estrategista da campanha.
Segundo integrantes da pré-campanha, comparações com números da eleição de 2022 indicam cenário mais favorável ao petista tanto na capital quanto na região metropolitana. O mesmo diagnóstico é acompanhado pelos aliados do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Nos últimos dias, o chefe do Executivo paulista intensificou agendas justamente nessas localidades, movimento que levou Ricardo Nunes a cancelar uma viagem internacional de dez dias para acompanhá-lo.
No interior, a leitura difere. A campanha reconhece desvantagem histórica em cidades de perfil mais conservador e, por isso, ajusta a estratégia para diminuir a distância em relação ao adversário.
Um interlocutor resumiu a meta: “perder de menos”.
Nesse esforço, lideranças como o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e a senadora Simone Tebet (PSB) serão convocadas para agendas enxutas, priorizando reuniões com pequenos grupos, formadores de opinião e representantes setoriais. O boca a boca e o contato direto devem substituir grandes comícios, especialmente em municípios onde o PT enfrenta resistência.
Na avaliação da equipe, avanços modestos em redutos adversos serão tratados como vitória parcial. Ao mesmo tempo, a campanha pretende ocupar o noticiário com agendas de grande visibilidade em São Paulo, Baixada Santista e Campinas, reforçando a imagem de proximidade com eleitores urbanos e do litoral.
Com o calendário eleitoral apertado, Haddad continuará segmentando mensagens de acordo com as especificidades regionais. Na capital, temas como mobilidade, transporte público e segurança estarão no centro do discurso. Já no interior, a pauta econômica ganhará destaque, com ênfase em geração de emprego e inovação no agronegócio.
A equipe garante que o cronograma está fechado até o início oficial da campanha, quando as visitas passarão a ocorrer quase diariamente. A aposta é de que a combinação entre presença física, alianças partidárias e comunicação segmentada aumente a competitividade do petista na disputa estadual.
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