O petista descartou transformar a disputa pelo governo paulista em espetáculo. Para ele, os eleitores merecem propostas concretas, não briga de bastidor.
O pré-candidato ao Governo de São Paulo e ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), usou o estúdio de um programa de entrevistas na televisão nesta segunda-feira, 22/06, para afastar qualquer comparação entre a próxima eleição paulista e um programa de entretenimento. Segundo ele, o pleito não deve se transformar em um “reality show” nem em arena para ataques pessoais, mas sim em um espaço para a apresentação de propostas concretas aos eleitores do estado.
Durante quase uma hora de conversa, Haddad revisitou sua passagem pela eleição de 2022, quando também esteve na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes. Ele recordou que, apesar da polarização nacional, manteve “relação cordial” com o então adversário e atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O petista afirmou que a cordialidade não o impedirá de fazer críticas firmes ao governo estadual.
“Vou ser explícito nas críticas à gestão porque estou indignado com a situação do estado”, pontuou Haddad, acrescentando que não pretende recorrer a fake news nem a ofensas pessoais.
Para o ex-prefeito da capital paulista, a maturidade do eleitorado somada à diversidade de veículos de comunicação deve favorecer o debate de propostas. Ele declarou que “a sociedade exige respostas concretas sobre mobilidade, saúde, educação e segurança”, setores que, em sua avaliação, precisam de soluções de longo prazo e diálogo com diferentes correntes políticas.
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Apesar de reconhecer avanços em algumas áreas, Haddad considera que São Paulo perdeu “dinamismo” em comparação com outras unidades da federação. Ele prometeu apresentar um plano de governo que contemple mudanças na política tributária estadual, incentivos à inovação e investimentos em obras de infraestrutura que, conforme destacou, podem alavancar a geração de empregos e renda.
Questionado sobre a influência das redes sociais na campanha de 2026, o petista defendeu regras claras para combater a desinformação e disse confiar na capacidade dos eleitores de checar fatos. Segundo ele, “o eleitor hoje pesquisa, compara, verifica e decide”, o que tornaria contraproducente insistir em estratégias baseadas em notícias falsas.
“Quem apostar em ofensa ou mentira vai perder credibilidade. Quero debates de alto nível, com ideias que melhorem a vida das pessoas”, afirmou.
Haddad finalizou reafirmando que continuará dialogando com partidos de centro, movimentos sociais e representantes do setor produtivo. Para ele, “a construção de consensos” é essencial para enfrentar desafios como a melhoria do transporte metropolitano, a expansão do ensino integral e a ampliação do atendimento hospitalar.
Com o calendário eleitoral ainda distante, a entrevista delineou os primeiros contornos de uma campanha que, na visão de Haddad, deve priorizar programas e resultados. Se depender do pré-candidato, o eleitor paulista encontrará, nos próximos meses, menos espetáculo midiático e mais discussão sobre políticas públicas.
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