O movimento islâmico Hamas informou nesta segunda-feira, 06/07, que encerrou formalmente o órgão que dirigia a Faixa de Gaza desde 2007, transferindo a responsabilidade administrativa para um Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), sediado no Cairo. A decisão, anunciada como parte de um esforço para destravar o processo político iniciado após o cessar-fogo de outubro de 2025, marca a mudança mais significativa na estrutura de governo local em quase duas décadas.
De acordo com Ismail al-Thawabta, chefe do gabinete de imprensa do Hamas, o então líder do comitê de emergência, Mohammed al-Farr, entregou sua renúncia e dissolveu o colegiado. A medida, disse ele, visa “facilitar a transição administrativa e governamental” para a nova equipe de tecnocratas.
“O Hamas dá um novo passo ao renunciar à administração da Faixa de Gaza para privar a ocupação de qualquer pretexto para continuar sua agressão e sua guerra de extermínio”, declarou o porta-voz Hazem Qassem.
O NCAG foi constituído em 2025, durante negociações mediadas pelo Conselho da Paz criado pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O colegiado reúne especialistas palestinos independentes e, segundo o seu presidente, Ali Shaath, “está totalmente preparado para assumir suas responsabilidades nacionais assim que estejam disponíveis os recursos e capacidades necessários”.
Apesar do gesto político, o principal impasse permanece: o desarmamento do Hamas. O movimento aceita discutir a entrega de armas apenas dentro de uma iniciativa política palestina mais ampla, tese rejeitada por Israel, que também se opõe ao retorno integral da Autoridade Palestina ao território.
O cientista político Mkhaimar Abusada avalia que a renúncia tem caráter sobretudo simbólico.
“O problema não é a dissolução do comitê governamental, e sim a aceitação de seu desarmamento. Esse continua sendo o principal ponto de bloqueio”,
analisa.
Paralelamente, o cessar-fogo iniciado em outubro de 2025 segue frágil. A primeira fase permitiu a libertação de reféns israelenses em troca de presos palestinos, mas a etapa seguinte, que previa o desarmamento do Hamas e a retirada gradual das tropas israelenses, não avançou. Dados do Ministério da Saúde de Gaza indicam 1.072 palestinos mortos desde então, enquanto o Exército de Israel registra seis baixas no mesmo período.
Sem consenso sobre segurança e governança, o futuro político da Faixa de Gaza permanece em aberto. Ainda assim, a entrega formal da administração ao NCAG cria uma nova dinâmica interna e pressiona as partes envolvidas a retomar as negociações interrompidas.
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