O Hamas anunciou nesta segunda-feira (06/07) que dissolveu o comitê responsável por administrar a Faixa de Gaza nos últimos 19 anos. A decisão, divulgada pelo chefe de gabinete de imprensa do movimento, Ismail al-Tawabta, mantém apenas funcionários técnicos em seus postos para evitar um vácuo administrativo enquanto o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, em inglês) organiza a transição.
Mohammed al-Farr, que chefiava o órgão de emergência governamental local, afirmou que a medida deve “facilitar a passagem de responsabilidades” para o NCAG. O colegiado foi criado no Cairo pelo Conselho de Paz, instância estabelecida pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante negociações de cessar-fogo entre Israel e Hamas.
“Estamos totalmente preparados para assumir as responsabilidades nacionais assim que estejam disponíveis os recursos e capacidades necessários”,
escreveu no X o presidente do NCAG, Ali Shaath.
Em nota, o Conselho de Paz reforçou que o futuro de Gaza depende da “concentração de todas as armas sob o controle do NCAG”. O ponto é sensível porque o Hamas resiste a um eventual desarmamento enquanto Israel, por sua vez, rejeita qualquer iniciativa que mantenha o grupo armado.
“A saída do Hamas busca eliminar qualquer pretexto de interferência israelense em Gaza”,
argumentou o porta-voz Hazem Qassem, em comunicado separado.
Analistas avaliam a mudança como mais simbólica que prática. O cientista político Mkhaimar Abusada destacou que o cerne da discórdia continua intocado:
“O problema não é a dissolução do comitê de governo, e sim a aceitação do desarmamento, que segue como principal obstáculo.”
O anúncio ocorre em meio à estagnação da segunda fase do cessar-fogo mediado por Estados Unidos, Egito e Catar. A etapa prevê o desarmamento gradativo do Hamas e a retirada progressiva das forças israelenses, mas não avançou nos últimos meses. Israel descarta o retorno do grupo ao poder e, ao mesmo tempo, mostra resistência a transferir o controle da região à Autoridade Palestina, sediada em Ramallah.
Desde a entrada em vigor da trégua, o Ministério da Saúde de Gaza registra 1.072 palestinos mortos. Do lado israelense, as Forças de Defesa confirmam seis baixas — cinco soldados e um terceirizado.
Com a dissolução do comitê, o NCAG precisa agora de garantias financeiras e logísticas para assumir efetivamente a gestão de serviços essenciais, como saúde, educação e infraestrutura. Até lá, técnicos vinculados ao antigo gabinete se mantêm provisoriamente nas funções, enquanto diplomatas buscam destravar o impasse sobre a segurança.
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