O humorista Dilson da Silva Neto, popularmente conhecido como Nego Di, foi condenado pela Justiça do Rio Grande do Sul a 14 anos e 6 meses de reclusão em regime fechado. A decisão, publicada nesta quarta-feira (24/06/2026), aponta a prática dos crimes de lavagem de dinheiro, estelionato e uso de documento falso.
Segundo a sentença, que ainda cabe recurso, o comediante teria comandado um esquema de rifas eletrônicas irregulares entre 2022 e 2024. A investigação identificou 34 sorteios promocionais divulgados em suas redes sociais, nos quais eram oferecidos prêmios como veículos, celulares e valores em espécie. O Ministério Público sustentou que as ações violaram normas da Caixa Econômica Federal, órgão responsável por autorizar loterias no país.
A movimentação financeira apurada no processo chegou a R$ 3 milhões. O montante, conforme os autos, teria sido distribuído em contas de pessoas próximas para ocultar a origem ilícita dos recursos, prática enquadrada como lavagem de dinheiro. Ainda de acordo com a promotoria, parte dos valores foi empregada na compra de imóveis e automóveis de luxo.
A esposa de Nego Di, Gabriela Vicente de Souza, também foi considerada culpada. Ela recebeu pena de 8 anos e 4 meses de prisão, igualmente em regime fechado, por participação no mesmo esquema. O juiz autorizou que ambos aguardem o julgamento de eventuais recursos em liberdade, mediante o cumprimento de medidas cautelares, como a proibição de promover novas rifas e a obrigação de manter endereço atualizado perante o Judiciário.
Esta não é a primeira vez que Nego Di enfrenta problemas com a lei. Em 2025, ele já havia sido condenado por estelionato em outro processo, também relacionado a sorteios não autorizados. Na ocasião, a pena foi revertida em prestação de serviços comunitários mediante acordo.
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Embora a defesa tenha argumentado que as rifas eram meras ações de marketing para engajamento de seguidores, o magistrado entendeu haver animus lucrandi, ou seja, intenção de lucro. Ele explicou que a ausência de autorização da Caixa e o uso de documentos falsos para viabilizar a transferência de prêmios configuraram delitos claros.
“Ficou demonstrada a estrutura organizada para captar numerário do público, mascarar a circulação do dinheiro e dar aparência de legalidade”, destacou o juiz responsável pelo caso.
A sentença também determinou a perda dos bens adquiridos com recursos considerados ilícitos e o bloqueio de contas bancárias que ainda apresentem saldo vinculado às rifas investigadas. Segundo a decisão, esse patrimônio será revertido ao Fundo Penitenciário Estadual, após o trânsito em julgado.
Com a repercussão do caso, especialistas em direito digital voltam a alertar sobre a proliferação de sorteios virtuais sem registro oficial. Para a Ordem dos Advogados do Brasil, somente em 2025 foram abertas mais de 700 investigações pelo mesmo motivo em todo o país, indicando que o segmento permanece sob intensa vigilância.
Nego Di, que ganhou projeção nacional ao participar de um reality show televisivo em 2021, não se pronunciou publicamente até o momento. Nas redes sociais, internautas dividem opiniões: enquanto alguns lamentam a situação, outros cobram mais rigor contra influencers que realizam promoções sem respaldo legal.
Os condenados têm dez dias para apresentar recurso ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Caso a decisão seja mantida em segunda instância, eles poderão ser presos para o cumprimento imediato da pena.
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