As comemorações juninas, que envolvem fogueiras, fogos de artifício e reuniões familiares, têm gerado um aumento significativo no número de atendimentos por queimaduras no Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse). Nos últimos 24 dias, a Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ) do hospital atendeu 44 pacientes com queimaduras oriundas de diversas origens.
Dados preliminares indicam que entre 31 de maio e 24 de junho, os acidentes com fogos de artifício se destacam como uma das principais causas de internação no pronto-socorro. Desses 44 atendimentos, 26 foram diretamente relacionados ao uso de fogos, incluindo incidentes com espadas, bombas, busca-pés, pólvora e até bacamarte. O cenário se torna ainda mais alarmante, especialmente nos dias 23 e 24 de junho, quando 13 atendimentos foram registrados, dos quais 11 estavam ligados ao uso de artefatos explosivos.
Entre os pacientes atendidos, 12 necessitaram de internação na UTQ, um setor especializado no tratamento de casos mais graves, e quatro dessas internações foram devido a acidentes com fogos de artifício. Wandressa Nascimento, gerente da unidade, enfatiza que muitos desses acidentes poderiam ser evitados com medidas de prevenção simples. “São acidentes que ocorrem em instantes e podem gerar sequelas permanentes. Mesmo sem amputações, as consequências físicas e psicológicas podem perdurar por muito tempo”, afirmou.
Os casos que mais preocupam a equipe incluem acidentes com bombas de maior potência, que podem resultar em lesões severas e amputações. “Quando um paciente perde parte dos dedos ou até a mão, isso altera completamente sua rotina e pode inviabilizar seu retorno ao trabalho”, ressaltou Wandressa. Além disso, a gerente alerta sobre a segurança das crianças, recomendando que menores não manuseiem fogos de artifício sem a supervisão de um adulto. “Uma simples faísca pode causar queimaduras em segundos, e é crucial evitar que crianças utilizem artefatos, mesmo os considerados de baixo risco”, disse.
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Outro fator preocupante é o aumento das queimaduras ocorridas em casa, especialmente durante o preparo das comidas típicas, que frequentemente envolvem líquidos ferventes e panelas grandes. Em caso de acidente, a orientação é clara: não se deve recorrer a receitas caseiras ou produtos improvisados sobre a lesão. “A melhor ação é lavar a área afetada com água corrente em temperatura ambiente por 15 a 20 minutos. É fundamental não aplicar manteiga, pasta de dente ou qualquer outra substância. Após isso, a área deve ser coberta com um pano limpo, e o atendimento médico deve ser buscado imediatamente”, orientou.
Historicamente, o cenário é preocupante. Em junho de 2025, o Huse registrou 62 atendimentos de vítimas de queimaduras, com 17 desses casos envolvendo crianças e 31 relacionados ao uso de fogos de artifício. A repetição desse padrão alerta para a necessidade de maior conscientização e cuidados durante os festejos juninos.



Fonte: Saúde – Sergipe
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