Uma projeção divulgada em abril de 2026 pelo Goldman Sachs acende o alerta sobre o ritmo de automação no mercado de trabalho norte-americano. Segundo o banco, a inteligência artificial (IA) está por trás da eliminação de 16 mil postos de trabalho por dia nos Estados Unidos. Mantido esse ritmo, o país deixará de contar com quase meio milhão de empregos a cada mês ainda neste ano.
O impacto aparece primeiro no setor de tecnologia. No primeiro trimestre de 2026, 78.557 demissões foram registradas nessas empresas, e 47,9% delas tiveram a IA citada explicitamente como causa. Outra fotografia vem da pesquisa Duke University/Richmond Fed com diretores financeiros de grandes companhias: eles projetam 502 mil cortes relacionados à automação ao longo de 2026, volume nove vezes superior ao observado em 2025.
A pressão, porém, não se restringe ao universo de servidores e cabos de rede. Plataformas de trabalho sob demanda mostram queda de 30% na procura por redatores, 21% em desenvolvimento de software e 35% em serviços de entrada de dados. Paralelamente, o percentual do orçamento corporativo destinado a freelancers recuou de 0,66% para 0,14%, enquanto os investimentos em IA saltaram de zero para 2,85%.
A virada de chave se ilustra no movimento feito por Jack Dorsey. Em janeiro de 2025, o fundador do Twitter e da Block reduziu o quadro de funcionários de mais de 10 mil para menos de 6 mil pessoas — enxugamento de 40% associado a sistemas automatizados.
“No próximo ano, a maioria das empresas vai chegar à mesma conclusão”, disse Dorsey à época.
O fenômeno, contudo, não é linear. Um estudo aponta que 59% dos gestores de RH admitem usar o termo “inteligência artificial” como justificativa para demissões motivadas por outros fatores, enquanto apenas 9% confirmam substituição direta das funções cortadas. Mais de 80% das companhias não perceberam ganho mensurável de produtividade.
Preços vistos na Amazon em 13/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
“Existe algum AI washing”, reconheceu Sam Altman, CEO da OpenAI, referindo-se a empresas que usam o hype para mascarar cortes.
A consequência para quem sai pela porta é a mesma: a vaga não volta. O Gartner estima que metade das companhias que enxugarem centrais de atendimento por IA precisará recontratar até 2027, mas nem cargos nem salários devem repetir o passado.
“Se seguirmos nesse caminho de destruir empregos e criar mais desigualdade, a democracia americana não vai sobreviver”, alertou o Nobel de Economia Daron Acemoglu.
A declaração adiciona peso histórico ao debate. Concentração de renda e falta de mobilidade social precederam crises na Roma Antiga, na França revolucionária e na Rússia de 1917. O temor é que um cenário semelhante se repita sob algoritmos.
“O apocalipse dos empregos por IA está aqui. Milhões de postos de colarinho branco serão perdidos nos próximos dezoito meses”, afirmou o ex-pré-candidato presidencial Andrew Yang.
A preocupação já se reflete nas pesquisas de opinião: 66% dos norte-americanos defendem a adoção de uma renda básica universal. Economistas e políticos discutem alternativas que vão de qualificação profissional a tributações específicas sobre sistemas automatizados, sinalizando que o debate sobre proteção social deve ganhar ainda mais força nos próximos meses.
Enquanto isso, a conta corrente de muitas empresas continua a trocar salários por servidores e modelos de linguagem. A tendência coloca governos, sindicatos e executivos diante de uma equação cada vez mais urgente: como equilibrar inovação e inclusão em um mercado onde as máquinas aprendem, decidem e — sobretudo — custam menos que gente.
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