Mais de 1.100 bombeiros permanecem mobilizados HOJE, 04/07, para conter o incêndio florestal que avança pelo município de Vouzela, no distrito de Viseu, norte de Portugal. As chamas, que começaram na quinta-feira (02/07), já consumiram cerca de 10.000 hectares de vegetação, segundo a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC). O combate conta ainda com o apoio de aproximadamente 380 viaturas e oito aeronaves de asa fixa ou helicópteros.
O governo português acionou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil e recebeu reforço de uma unidade militar espanhola especializada em grandes incêndios. A chegada dos militares estrangeiros ocorreu na noite de sexta-feira (03/07) e, de acordo com o comando local, ampliou a capacidade de estabelecer linhas de contenção e proteger povoados próximos.
“Mais de 1.100 bombeiros combatem as chamas com o apoio de cerca de 380 veículos e oito aviões ou helicópteros”, informou, em nota, a ANPC.
Até o momento, nove pessoas ficaram feridas, duas delas em estado grave. Elas foram encaminhadas a hospitais da região de Viseu para avaliação médica. As autoridades não descartam a possibilidade de novas evacuações, já que o vento forte e o relevo acidentado dificultam o trabalho das equipes em terra.
Portugal enfrenta a primeira grande onda de calor do verão europeu. O serviço meteorológico nacional colocou 13 dos 18 distritos portugueses em alerta vermelho por causa de temperaturas que podem chegar a 44 °C. Para domingo (05/07), o nível máximo de atenção será mantido em sete regiões do centro e sul do país.
A repetição de verões quentes e secos preocupa especialistas. Estudos apontam que a Península Ibérica está cada vez mais vulnerável a períodos prolongados de estiagem, atribuídos ao aquecimento global. Na temporada passada, Portugal registrou o verão mais quente desde 1931, somando 45.000 hectares queimados em 2025, quase o dobro da média da última década.
Os serviços de emergência reforçam o apelo para que moradores e turistas sigam orientações de segurança, evitem deslocamentos desnecessários nas áreas críticas e comuniquem imediatamente qualquer novo foco de fogo. Além disso, a Proteção Civil pede que a população mantenha hidratação, procure locais frescos e auxilie vizinhos idosos ou com mobilidade reduzida.
As equipes de bombeiros afirmam que o avanço do incêndio depende, sobretudo, do comportamento do vento nas próximas horas. Caso as rajadas superem 30 km/h, existe risco de que as chamas saltem as barreiras criadas com aceiros e retardantes químicos, alcançando zonas florestais ainda intactas.
Mesmo assim, o comando de operações mantém projeção otimista de estabilizar pelo menos 70% do perímetro até o fim do domingo, se as condições meteorológicas não se deteriorarem. Enquanto isso, drones térmicos sobrevoam a área durante a madrugada para identificar pontos de calor que possam reacender focos já extintos.
Portugal carrega a memória de 2017, quando uma série de incêndios florestais matou mais de 100 pessoas. Desde então, leis foram endurecidas para obrigar proprietários rurais a limpar terrenos e abrir faixas de segurança. A tragédia também acelerou a criação de equipes de resposta rápida e a compra de meios aéreos adicionais, que agora se mostram cruciais frente ao atual cenário.
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