Segundo o IBGE, o INPC teve a segunda deflação mensal consecutiva, refletindo alívio nos preços. O recuo foi puxado por habitação (-2,17%), que cortou 0,38 ponto percentual e foi influenciada pelo Bônus de Itaipu.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) encerrou agosto com variação negativa de 0,32%, apontando a segunda deflação mensal consecutiva. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o resultado mantém a trajetória de alívio iniciada em julho, quando o indicador havia recuado 0,01%. No acumulado dos últimos 12 meses, o INPC soma 3,98%.
O principal freio para os preços em agosto veio do grupo habitação, que cedeu 2,17% e retirou 0,38 ponto percentual do índice geral. O recuo está diretamente ligado ao Bônus de Itaipu, desconto aplicado às contas de luz dos consumidores durante o mês, reduzindo a despesa com energia elétrica.
Em comparação com agosto de 2025, quando o indicador exibiu retração de 0,21%, a deflação atual reforça a tendência de moderação da inflação ao longo de 2026. O movimento tem reflexos imediatos para milhões de trabalhadores, já que o INPC é tradicionalmente utilizado como referência em negociações salariais e reajustes de benefícios.
O indicador, que capta a variação de preços para famílias com renda de um a cinco salários mínimos, calcula valores de 367 produtos e serviços espalhados por todas as regiões pesquisadas. Alimentos, por exemplo, respondem por cerca de 25% da composição do índice, porcentual superior ao peso concedido no IPCA, por refletir o maior comprometimento da renda das famílias de menor poder aquisitivo com a alimentação.
Também nesta sexta-feira, o IBGE informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou o mesmo recuo de 0,32%, atingindo a menor taxa dos últimos quatro anos. A diferença metodológica entre os dois indicadores está na faixa de renda: enquanto o INPC considera lares cuja renda mensal varia de um a cinco mínimos, o IPCA abrange famílias que recebem de um a 40 salários.
O desempenho do INPC é determinante para definir, até o fim do ano, o reajuste do salário mínimo, do seguro-desemprego, do teto do INSS e dos benefícios pagos a quem ganha acima do piso nacional. Como o cálculo oficial utiliza o acumulado fechado até dezembro, a trajetória dos próximos meses será decisiva para estabelecer o valor base que passará a vigorar em 2027.
Para o IBGE, o índice cumpre o papel de “correção do poder de compra dos salários” ao monitorar a variação da cesta de consumo da população assalariada com menor rendimento. A autarquia acrescenta que ajustes periódicos são essenciais para preservar a renda real dessas famílias diante das oscilações de preços.
Apesar da deflação observada em julho e agosto, analistas de mercado acompanham com atenção fatores como a dinâmica cambial, o comportamento dos combustíveis e eventuais pressões sazonais sobre alimentos. Esses elementos podem influenciar os resultados dos próximos meses e, consequentemente, o valor de reajuste que será usado nas negociações coletivas e na definição de políticas públicas voltadas à renda do trabalho.
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