Um instituto federal passou a operar um modelo nacional de previsão do tempo no supercomputador Jaci (Cachoeira Paulista). Desenvolvido em três anos, o sistema promete igualar a precisão às agências dos EUA e da Europa.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), começou a operar um modelo computacional próprio de previsão do tempo. Batizado de Monan (Modelo para Previsões de Oceano, Terra e Atmosfera), o sistema foi desenvolvido nos últimos três anos e está rodando no supercomputador Jaci, instalado no centro de dados do INPE em Cachoeira Paulista (SP).
Segundo o ministério, o novo modelo eleva a acuidade das previsões meteorológicas brasileiras ao mesmo patamar de precisão de órgãos de referência dos Estados Unidos e da Europa. O Monan opera com cobertura global e resolução de dez quilômetros, com duas atualizações diárias, e gera previsões do tempo altamente confiáveis com até 11 dias de antecedência.
Um modelo de previsão do tempo é um programa computacional que simula o comportamento futuro da atmosfera utilizando equações físicas e dados coletados por satélites, radares e estações meteorológicas. Quanto mais moderno o modelo e mais potente a estrutura de processamento, mais refinados e detalhados são os resultados obtidos.
De acordo com o ministério, o Monan permitirá emitir alertas antecipados de desastres, aumentando a rapidez no monitoramento de tempestades, frentes frias e secas severas. A expectativa é que a capacidade de previsão melhore a prevenção e a resposta a eventos extremos, beneficiando autoridades e populações em áreas vulneráveis.
“Não estamos apenas trocando computadores ou atualizando softwares. Estamos garantindo que o Brasil tenha soberania sobre os seus próprios dados climáticos, utilizando um modelo concebido para as especificidades tropicais da América do Sul. Isso se traduz em decisões públicas mais rápidas, proteção de vidas e apoio direto ao desenvolvimento econômico”
A declaração acima foi feita pela ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.
Além da cobertura global com resolução de 10 km e duas atualizações diárias, o desenvolvimento do Monan prevê etapas seguintes. Segundo o ministério, será criado um modelo regional para a América do Sul com resolução de cinco quilômetros, capaz de captar o comportamento do tempo em recortes mais detalhados. Também estão previstas ferramentas de curtíssimo prazo (nowcasting), com previsões válidas para até seis horas.
O novo modelo também deverá apoiar o setor agrícola, ajudando no planejamento de plantios e colheitas ao mitigar prejuízos causados por oscilações do clima tropical. Outra aplicação destacada é a geração de estimativas mais detalhadas do volume de chuvas nas bacias hidrográficas, informação relevante para gestão de recursos hídricos e prevenção de enchentes.
Com o Monan em operação no supercomputador Jaci, o INPE amplia sua capacidade técnica de processar grandes volumes de dados e produzir previsões meteorológicas próprias, voltadas às especificidades do clima sul-americano e às necessidades de planejamento e proteção civil no país.
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