O IBGE informou que a inflação voltou a terreno negativo em agosto, levando o acumulado em 12 meses a 4,22%. O resultado contrariou as projeções do Boletim Focus e foi a menor taxa para agosto desde 2022.
A inflação oficial brasileira voltou a terreno negativo em agosto e surpreendeu o mercado financeiro. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou o mês com variação de -0,32%, a leitura mais baixa para agosto desde 2022, quando alcançara -0,36%. Em julho, o índice havia ficado em 0,07% e, em agosto de 2025, marcara -0,11%.
Com o resultado, o acumulado em 12 meses caiu de 4,44% para 4,22%, menor patamar desde março deste ano (4,14%). A leitura contrariou o Boletim Focus do Banco Central, que projetava deflação de -0,23% para o mês. Para o fechamento de 2026, os agentes consultados pelo BC continuam estimando inflação de 5% – portanto acima do centro da meta de 3% definida pelo Conselho Monetário Nacional, mas dentro do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Quatro dos nove grupos investigados apresentaram recuo de preços. O destaque coube a Habitação, com queda de 1,87%, a maior desde o início do Plano Real, em 1994. O desempenho esteve ligado ao Bônus de Itaipu, crédito de 7,63% em média aplicado às contas de luz. A energia elétrica exerceu o maior impacto negativo individual sobre o IPCA de agosto.
Em Alimentação e bebidas, houve recuo de 0,34%, completando terceira deflação seguida. Produtos in natura lideraram as baixas: batata-inglesa (-19,89%), cenoura (-11,22%), cebola (-11,07%) e tomate (-10,94%). O grupo equivale a 21,5% da cesta do índice e, por isso, sua trajetória ajuda a frear a inflação geral.
O grupo Transportes também colaborou, ao cair 0,86%. Passagens aéreas recuaram 13,17%, segundo maior peso negativo atrás apenas da energia elétrica. Entre os combustíveis, etanol (-3,95%), óleo diesel (-0,80%) e gasolina (-0,59%) registraram deflação, enquanto o gás veicular subiu 2,62%. Serviços de transporte por aplicativo mostraram redução de 4,57% após correção metodológica do instituto.
Do lado oposto, Despesas pessoais (1,30%) foi o bloco que mais pressionou para cima, seguido por Artigos de residência (0,64%) e Educação (0,47%). O chamado índice de difusão, que mede quanto a alta de preços está espalhada, subiu para 54% em agosto, ante 50% em julho. Ou seja, pouco mais da metade dos 377 itens pesquisados tiveram elevação.
“Não sabemos como ficará o resultado final, mas sabemos que o índice tende a subir.”
A avaliação, feita pelo analista da pesquisa Fernando Gonçalves, aponta que o efeito do Bônus de Itaipu é pontual. Como o desconto é válido apenas em agosto, a conta de luz deve voltar a refletir a tarifa integral em setembro, elevando a inflação de energia e pressionando o IPCA no curto prazo.
O IBGE lembra que, desde 2025, o cumprimento da meta de inflação passou a ser verificado de forma contínua, em janelas de 12 meses, e não somente no resultado anual fechado em dezembro. Para que a meta seja considerada descumprida, o índice precisa ultrapassar o intervalo de tolerância por seis meses consecutivos.
O IPCA reflete o custo de vida de famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos, coletando preços em 16 capitais e regiões metropolitanas, incluindo Aracaju. As leituras de agosto reforçam a tendência de desaceleração observada ao longo de 2026, mas analistas ainda monitoram fatores como reajustes de serviços e a volatilidade dos combustíveis para avaliar se o ritmo de queda poderá ser sustentado nos próximos meses.
Mesmo com a deflação registrada, a expectativa de que o indicador encerre o ano acima da meta sinaliza que o Banco Central pode adotar cautela na condução da taxa Selic, buscando equilibrar a retomada do crescimento e o controle dos preços.
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