O governo iraniano emitiu neste domingo, 28/06, um novo aviso a todas as embarcações que planejem cruzar o Estreito de Ormuz. Teerã declarou que qualquer tentativa de deixar o corredor marítimo demarcado pelo país “aumentará as tensões” em um momento já marcado por sucessivos ataques e contra-ataques entre Irã e Estados Unidos.
A advertência veio poucas horas depois de forças iranianas lançarem mísseis e drones contra alvos no Kuwait e no Bahrein. Segundo os Guardiões da Revolução, oito infraestruturas militares norte-americanas teriam sido destruídas na base Ali al Salem, no Kuwait, e na base da Quinta Frota, no porto Salman, no Bahrein.
“Qualquer tentativa de adotar medidas novas ou diferentes daquelas que a República Islâmica já está implementando apenas conduzirá a situações mais complicadas, atrasará a reabertura do Estreito de Ormuz e aumentará as tensões”, afirmou o chanceler Abbas Araghchi, que chegou a Bagdá para reuniões de emergência.
Teerã acusa Washington de violar o memorando de entendimento assinado em 17 de junho, documento que previa um cessar-fogo e garantia de passagem segura pelo estreito. O texto determina ainda que Irã e Omã “colaborarão” na futura administração da rota. Apesar disso, autoridades iranianas receberam com desconfiança o anúncio de Mascate sobre uma via alternativa próxima ao litoral omanense, apresentada como iniciativa conjunta com a Organização Marítima Internacional.
Desde quinta-feira, duas embarcações civis foram atingidas por projéteis de origem ainda não esclarecida. Os Estados Unidos responsabilizaram o Irã e responderam com bombardeios na sexta-feira e, novamente, na madrugada deste domingo, quando a força aérea americana atacou dez alvos militares iranianos. O presidente Donald Trump chegou a ameaçar “aniquilar” a República Islâmica.
O confronto já deixou vítimas civis. O Ministério do Interior do Catar confirmou a morte de um cidadão do país devido a estilhaços provenientes de “operações militares na região”. Ainda assim, a imprensa iraniana anunciou a retomada, para segunda-feira, dos voos comerciais entre Teerã e Dubai.
No Líbano, Israel prosseguiu com bombardeios no sul, apesar de um acordo preliminar firmado na sexta-feira em Washington que busca uma paz duradoura. Um soldado israelense morreu em combates, enquanto a agência estatal libanesa NNA reportou novos ataques que deixaram ao menos um morto no sábado.
“A retirada de Israel do território libanês é condição essencial para um acordo definitivo”, declarou Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano.
O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou ter tratado “seriamente” da ocupação israelense em telefonema com o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri.
Especialistas avaliam que o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, permanece no centro da disputa geopolítica. Embora a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar garanta liberdade de navegação, Teerã não ratificou o tratado e insiste que somente sua rota costeira é autorizada.
Analistas alertam que, caso o trânsito seja interrompido, o impacto nos preços globais de energia pode ser imediato. Por ora, o memorando de 17 de junho ainda vigora, mas o risco de novos incidentes aumenta a apreensão de armadores e governos que dependem da via para exportações estratégicas.
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