O Poder Judiciário do Irã confirmou neste sábado, 18/07/2026, a execução de Aref Khoshkar, condenado pelo assassinato do agente Salman Amir Ahmadi durante as manifestações que se espalharam pelo país entre 2022 e 2023. A sentença foi cumprida após a conclusão de todas as instâncias legais e a aprovação final do Supremo Tribunal iraniano.
“A sentença de morte de Aref Khoshkar, responsável pelo assassinato de Salman Amir Ahmadi, foi executada após a conclusão do procedimento legal e obtenção da aprovação do Supremo Tribunal”, informou a agência oficial Mizan.
De acordo com o relatório judicial, o crime ocorreu no contexto dos protestos que eclodiram após a morte da jovem curdo-iraniana Mahsa Amini, detida em Teerã por suposta violação do código de vestimenta. A morte de Amini levou milhares de pessoas às ruas em diversas cidades, dando origem a confrontos entre manifestantes e forças de segurança.
As autoridades identificaram a vítima como integrante da Basij, milícia ligada à Guarda Revolucionária. O tribunal concluiu que Khoshkar teve “participação direta e consciente” no homicídio e considerou o ato premeditado. A defesa alegou ausência de provas conclusivas, mas os juízes mantiveram o veredito inicial.
A execução de Khoshkar soma-se a uma série de penas capitais registradas no país nos últimos meses. Segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas em 15/06, ao menos 40 homens foram executados no Irã em 2026; 18 deles teriam participado de atos de protesto. Organizações de direitos humanos, incluindo a Anistia Internacional, colocam o Irã como o segundo país que mais aplica a pena de morte no mundo, atrás apenas da China.
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Observadores internacionais notam um aumento no número de execuções desde o início do conflito desencadeado pela ofensiva americana-israelense contra o território iraniano em 28/02. Fontes locais relatam que grande parte dos condenados recebeu sentenças relacionadas à segurança nacional ou à participação em protestos considerados antigovernamentais.
“Após ouvir os argumentos da defesa, o tribunal condenou Aref Khoshkar à pena de morte por cumplicidade em homicídio premeditado”, detalhou a agência Mizan.
Na última quarta-feira, 15/07, as autoridades também anunciaram o enforcamento de outro homem, cujo nome não foi divulgado, acusado de envolvimento nas manifestações. Organizações civis afirmam que os julgamentos ocorrem de forma acelerada e com acesso limitado à representação legal, algo que o governo nega.
Especialistas em direito internacional pedem transparência nos processos e destacam a necessidade de moratória para a aplicação da pena capital. O Irã, entretanto, argumenta que segue sua legislação interna e que os casos julgados envolvem crimes graves contra a vida e a segurança do Estado.
Enquanto grupos de direitos humanos reforçam o apelo por revisões judiciais independentes, familiares de Khoshkar relatam que foram informados da execução apenas após o cumprimento da sentença. Ainda não há confirmação oficial sobre o local do sepultamento.
A repercussão da execução acirra o debate sobre a resposta do governo aos protestos iniciados em 2022. Analistas apontam que o ritmo acelerado das penas capitais pode influenciar a dinâmica das manifestações previstas para o segundo semestre, sobretudo em datas simbólicas relacionadas à morte de Mahsa Amini.
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