O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã para Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Gharibabadi, esclarece que não há nenhuma sessão técnica marcada com representantes dos Estados Unidos para esta semana dentro do memorando de entendimento que visa pôr fim às hostilidades entre os dois países. A posição contradiz relatos de que delegações se reuniriam nos próximos dias em Doha, capital do Catar.
Em declaração nesta segunda-feira, 29/06, o negociador reforça que Teerã mantém diálogos rotineiros com o governo catariano, mas enfatiza que qualquer passo adiante depende de consenso prévio sobre data, local e formato da primeira rodada de discussões técnicas. Até o momento, segundo ele, esse consenso não existe.
“As consultas com o Catar continuam como de costume, porém não confirmamos qualquer reunião técnica para esta semana”, afirma Gharibabadi.
O diplomata detalha que as conversas permanecem indiretas, mediadas por governos regionais que buscam reduzir as tensões no Golfo Pérsico. Ele acrescenta que a agenda de trabalho ainda está em construção e que a definição de equipes será divulgada somente quando houver “condições adequadas”.
Informações divulgadas por veículos internacionais no fim de semana mencionaram a possibilidade de um encontro iminente em Doha. A repercussão ganhou força depois que Teerã e Washington deram sinais de querer conter a escalada militar iniciada há poucos dias no Estreito de Ormuz, região estratégica para o comércio global de petróleo. Segundo essas publicações, o Catar atuaria como facilitador, oferecendo estrutura para reuniões paralelas e ajudando a ajustar cláusulas operacionais do acordo.
Ainda de acordo com Gharibabadi, a suspensão temporária das hostilidades, anunciada após ataques e retaliações na rota marítima, cria “ambiente propício” para a diplomacia, mas não elimina divergências sobre temas sensíveis, como posicionamento de forças navais e alívio de sanções econômicas.
“Só haverá avanço real quando todas as partes demonstrarem vontade política de cumprir os compromissos já assumidos”, ressalta o vice-ministro.
Analistas veem na estratégia iraniana um esforço para ganhar tempo, avaliar cenários regionais e pressionar por garantias de que medidas punitivas serão revertidas gradualmente. Do lado norte-americano, a expectativa seria formalizar mecanismos de verificação que assegurem o cumprimento de obrigações de segurança.
Sem reunião confirmada para esta semana, a perspectiva é que bastidores diplomáticos continuem agitados, com emissários trocando mensagens e tentando fixar um cronograma que destrave o processo nas próximas semanas.
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