O governo iraniano voltou a elevar o tom nesta quarta-feira (8) depois dos bombardeios lançados pelos Estados Unidos contra alvos no sul do país. Autoridades de Teerã afirmaram que a ofensiva norte-americana, realizada no fim da tarde e início da noite, não ficará sem resposta e pode desencadear ataques contra instalações militares de nações que tenham permitido o uso de seus territórios pelas forças dos EUA.
Ebrahim Azizi, presidente da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento, avisou que a população e os aliados de Washington não devem esperar passividade do Irã.
“Iremos privá-los de segurança onde quer que estejam no mundo”
disse o parlamentar à agência iraniana Nour News. Segundo ele, os planos de retaliação já estão em curso e levarão em conta cada base aérea ou naval que tenha servido de plataforma para os aviões ou navios norte-americanos.
Um alto oficial das Forças Armadas reforçou a ameaça ao declarar que a reação iraniana fará os Estados Unidos “arrependerem-se” dos ataques. O militar, que não teve o nome revelado, citou a possibilidade de empregar mísseis balísticos e drones de longo alcance contra objetivos estratégicos na região.
Os EUA, por sua vez, iniciaram as novas investidas no final da tarde de hoje, atingindo pontos próximos aos portos de Bandar Abbas e Chabahar, além da costa oeste de Sirik. A televisão estatal do Irã relatou explosões na ilha de Abu Musi, localizada ao sul do Estreito de Ormuz, e registrou danos no porto de Jask, também na província de Hormozgan.
A agência Nour News acrescentou que, apesar das detonações ouvidas nas proximidades da usina nuclear de Bushehr, nenhum equipamento crítico foi danificado. Já em Chabahar, estilhaços de projéteis alcançaram o Hospital Imam Ali, provocando ferimentos leves em funcionários e pacientes, além de cortes no sistema de energia em parte da cidade.
A escalada coloca novamente em risco as rotas marítimas do Golfo Pérsico, por onde passa parte significativa do petróleo exportado mundialmente. Analistas ouvidos pela imprensa local lembram que o Estreito de Ormuz é considerado um gargalo logístico vital: qualquer interrupção pode pressionar os preços globais de energia e afetar a logística naval.
Diplomatas na região tentam articular canais de diálogo de última hora para impedir novos enfrentamentos, mas fontes ligadas ao Ministério das Relações Exteriores iraniano alegam que uma eventual resposta militar será “proporcional” e poderá ocorrer em múltiplas frentes, dependendo da postura da Casa Branca nas próximas horas.
Até o momento, Washington não divulgou estimativas oficiais de danos provocados pelos seus bombardeios, nem comentou as ameaças feitas por Teerã. Observadores internacionais alertam que, se confirmada, a retaliação iraniana poderá arrastar países vizinhos para o conflito, ampliando o grau de instabilidade no Oriente Médio.
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