A disputa de bastidores no grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro ganhou novos contornos nesta terça-feira (21). Eduardo Torres, irmão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, utilizou suas redes sociais para rebater críticas feitas pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O parlamentar havia classificado como “imaturidade” o vídeo em que Michelle expôs divergências internas com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e com a direção nacional do Partido Liberal (PL).
No vídeo que provocou a reação, Michelle Bolsonaro, atual presidente do PL Mulher, comentava a condução do partido em relação a pautas femininas e pedia maior autonomia para o segmento. Logo depois, Eduardo Bolsonaro avaliou a declaração como precipitada e disse que a postura da ex-primeira-dama poderia acirrar fraturas no grupo bolsonarista.
Horas mais tarde, Eduardo Torres publicou um texto em tom sarcástico, sem mencionar diretamente o ex-deputado. Ele disse que Michelle é cobrada por manifestar opinião política mesmo exercendo um cargo partidário. No encerramento da mensagem, reforçou a crítica ao repetir a palavra usada por Eduardo Bolsonaro.
“Imatura”
A troca de farpas ocorre em meio a um esforço de setores aliados para reduzir ruídos internos antes da convenção partidária programada para o segundo semestre. Interlocutores próximos relatam que Eduardo Torres tem defendido a pacificação entre as lideranças, argumentando que o foco dos conservadores deve se manter no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não em disputas intestinas.
Preços vistos na Amazon em 18/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
Mesmo assim, o episódio ampliou a percepção de desgaste público dentro do campo bolsonarista. Aliados observam que, desde o término do mandato presidencial, a falta de um comando único tem gerado atritos e dificultado a formulação de uma estratégia comum para as eleições municipais de 2026. O vídeo de Michelle, por exemplo, foi visto por parte da cúpula do PL como um alerta sobre o protagonismo que o núcleo feminino deseja exercer nas chapas majoritárias e proporcionais.
Do outro lado, apoiadores de Eduardo Bolsonaro sustentam que manifestações desse tipo deveriam ser debatidas primeiro nos fóruns internos do partido, para evitar a exposição pública de desentendimentos. A avaliação é que a sequência de declarações cruzadas pode desgastar a imagem de união que o grupo procura transmitir.
Até o momento, não há indicação de reuniões formais entre Michelle, Eduardo e Flávio Bolsonaro para solucionar o impasse. Integrantes do PL afirmam que eventuais conversas ocorrerão “no momento adequado”, quando o planejamento eleitoral estiver mais definido. Enquanto isso, lideranças regionais observam o desenrolar do embate, preocupadas com seus reflexos nas alianças estaduais.
Nos bastidores, a percepção é de que disputas por espaço e influência se intensificarão à medida que 2026 se aproxima. Analistas lembram que, além da agenda eleitoral, o grupo bolsonarista lida com procedimentos judiciais que podem alterar o quadro de elegibilidade de algumas figuras centrais. Nessa conjuntura, cada demonstração de divisão interna tende a ganhar maior repercussão.
Por ora, o recado de Eduardo Torres permanece publicado, e as últimas movimentações indicam que novas manifestações poderão surgir. A expectativa é de que a direção do PL busque uma interlocução direta para conter a escalada de críticas e retomar o discurso de união que marcou a campanha presidencial de 2022.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.








