O senador Jaques Wagner (PT-BA) iniciou, nos últimos dias, uma série de reuniões com colegas de bancada, dirigentes partidários e integrantes do Palácio do Planalto para tentar contornar o desgaste provocado pela 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em 18 de junho. A investigação apura se o parlamentar, quando governador da Bahia, teria atuado em benefício do Banco Master e de seu proprietário, Daniel Vorcaro.
Desde que as buscas foram realizadas, a cúpula petista passou a conduzir uma estratégia de contenção de danos. O principal objetivo é impedir que o episódio respingue na articulação do governo no Congresso às vésperas de votações consideradas decisivas e, simultaneamente, proteger o desempenho dos candidatos da base aliada nas eleições municipais deste ano.
No Senado, Wagner continua exercendo a função de líder do governo, apesar da pressão de parte da oposição e até de parlamentares da própria base para que ele se licencie temporariamente. Segundo interlocutores, a permanência no cargo é vista como sinal de força política e de confiança do Executivo.
Na segunda-feira, 22 de junho, a defesa do senador protocolou um pedido no Supremo Tribunal Federal para anular a operação da PF. O recurso questiona a competência da Justiça Federal baiana e sustenta que não há indícios suficientes para justificar medidas de busca e apreensão. A peça também argumenta que os fatos investigados estariam cobertos por prerrogativa de foro, já que o suposto favorecimento teria ocorrido durante o exercício do mandato de governador.
Paralelamente ao esforço jurídico, dirigentes do PT intensificaram conversas com partidos que compõem a base governista. A ordem é evitar rupturas ou críticas públicas que possam ser exploradas politicamente pela oposição. Líderes governistas afirmam que o caso será tratado como assunto pessoal do senador, sem reflexos na relação institucional entre Executivo e Legislativo.
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Apesar do tom cauteloso adotado pelo Palácio do Planalto, aliados reconhecem reservadamente que a situação trouxe ruído para a pauta de votações. Entre projetos considerados prioritários estão o novo marco fiscal estadual e matérias de interesse da equipe econômica. A avaliação é de que qualquer instabilidade poderá atrasar o calendário.
Do lado da oposição, parlamentares pretendem convocar Wagner para explicar o caso em comissões do Senado. Eles argumentam que as suspeitas colocam em xeque a lisura de processos envolvendo bancos privados e contratos com o Estado da Bahia na década passada.
Enquanto o cenário político se reorganiza, assessores de Wagner informam que ele continua cumprindo agenda pública normalmente e mantém diálogo frequente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Uma reunião entre os dois vem sendo costurada para os próximos dias, a fim de alinhar discursos e evitar novas exposições negativas.
Nos bastidores, a avaliação predominante é de que o desdobramento da Operação Compliance Zero terá impacto direto na corrida eleitoral de cidades estratégicas da Bahia, onde o PT busca ampliar o número de prefeituras. A sigla calcula que o reflexo imediato pode ser minimizado caso a narrativa de perseguição política ganhe corpo entre a militância e parte do eleitorado.
Por ora, a ordem entre governistas é manter sob controle a temperatura do debate e reforçar a imagem de união em torno de Jaques Wagner, enquanto o processo tramita no Supremo. A expectativa é de que novas manifestações oficiais só ocorram após decisão do tribunal sobre o pedido de anulação.
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