O senador Jaques Wagner (PT-BA) anunciou, na quarta-feira, 24/06, que deixará a liderança do governo no Senado Federal. A decisão foi tornada pública cerca de uma hora depois de ele se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto. Segundo o parlamentar, a saída ocorrerá por “comum acordo”, mantendo o clima de proximidade com o chefe do Executivo.
“Acabei de ter uma ótima reunião com o Presidente Lula, uma conversa entre amigos, e decidimos, em comum acordo, que me afastarei da liderança do Governo no Senado Federal”, registrou Wagner em suas redes sociais.
O senador enfrenta investigação na 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em 18/06. A apuração mira um suposto esquema de irregularidades envolvendo o Banco Master e agentes públicos. Mandados de busca foram cumpridos em imóveis ligados ao parlamentar e a empresários, incluindo Augusto Lima, dono do Banco Pleno. Durante as diligências, agentes recolheram US$ 49 mil em espécie em um quarto de hotel associado a Wagner em Brasília, valor acima do limite de US$ 20 mil fixado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.
Jaques Wagner justificou que, ao deixar a liderança, poderá concentrar esforços na própria defesa e na campanha para a reeleição de Lula e do governador baiano Jerônimo Rodrigues, além de seu projeto de novo mandato no Senado. Ele reafirmou confiança de que provará inocência.
“Minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além da minha própria reeleição”, declarou.
Além de Wagner, a PF cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. As ordens judiciais incluem a proibição de contato entre investigados e entrega de passaportes. Os fatos sob análise podem configurar corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
Augusto Lima, alvo da primeira fase da operação em 2025, voltou ao centro das investigações. A defesa do empresário afirmou que as diligências “eram desnecessárias” e que “contribuirão para demonstrar a lisura dos atos”. Já o Banco Master não se pronunciou até o momento.
Trajetória política: carioca nascido em 1951, Wagner mudou-se para a Bahia em 1974, atuou no Polo Petroquímico de Camaçari e se destacou no movimento sindical. Fundador do PT em 1980, foi deputado federal por três mandatos, ministro do Trabalho, da Defesa e da Casa Civil, além de governador baiano por dois períodos (2007-2014). Em 2018, elegeu-se senador e, em 2023, assumiu a liderança do governo na Casa Alta — posto que agora anuncia que deixará.
No Congresso, caberá ao Palácio do Planalto indicar um novo articulador. Enquanto isso, líderes governistas avaliam nomes para ocupar o cargo, tarefa considerada estratégica numa fase de votações de projetos econômicos e de reformas.
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