A menos de três meses do encerramento do prazo para registro de chapas, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa desistiu da pré-candidatura à Presidência da República pelo Democracia Cristã (DC). A decisão, comunicada internamente, foi confirmada nesta segunda-feira (18/07) pelo presidente nacional da sigla, João Caldas.
Barbosa havia sido apresentado como principal aposta do partido no sábado, 16 de julho, gerando forte repercussão no meio político. Dois dias depois, porém, o ex-magistrado comunicou que não pretende seguir na disputa. A legenda, que trabalha para se fortalecer em um cenário fragmentado, volta agora a avaliar opções para encabeçar a chapa majoritária.
“Joaquim representa a possibilidade de união nacional e a reconstrução da confiança do povo brasileiro nas instituições”, declarou Caldas na nota divulgada no fim de semana, quando ainda contava com a presença do ex-ministro na corrida eleitoral.
A entrada – e agora a saída – de Joaquim Barbosa pegou dirigentes e militantes de surpresa. O jurista filiou-se ao DC no início de julho, após articulações que envolveram parlamentares e empresários simpáticos a seu nome. Dentro do partido, a avaliação era de que a figura do ex-presidente do STF poderia atrair eleitores insatisfeitos com a polarização e, ao mesmo tempo, impulsionar a legenda em bancadas estaduais.
O reposicionamento do partido reacende a pré-candidatura do ex-ministro da Defesa e ex-deputado federal Aldo Rebelo, lançada ainda em janeiro. Na ocasião, o DC apresentou Rebelo como porta-voz de um “projeto de união e desenvolvimento”.
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“Minha pré-candidatura está mantida, conforme compromisso firmado com a direção nacional do Democracia Cristã. Fui escolhido para levar adiante um projeto de união e desenvolvimento do Brasil, ancorado na minha biografia sem mácula e na experiência acumulada na administração pública”, afirmou Rebelo em mensagem difundida nas redes sociais logo após o anúncio de Joaquim Barbosa.
Com a desistência de Barbosa, interlocutores de Caldas indicam que o partido deve retomar conversas com Aldo Rebelo e outros nomes que aparecem em pesquisas internas. A direção nacional também cogita eventual coligação, caso considere inviável lançar candidatura própria.
Joaquim Barbosa, de 71 anos, ganhou projeção nacional ao relatar a Ação Penal 470 no STF, popularmente conhecida como Mensalão. Após se aposentar da Corte, em 2014, manteve-se distante da política partidária até ingressar no DC. Em 2018, chegou a ser cotado para concorrer ao Palácio do Planalto, mas, à época, também recuou.
A decisão atual reforça o roteiro de cautela assumido pelo ex-ministro desde que deixou o Judiciário. Nos bastidores, aliados atribuem a desistência a questões pessoais e à resistência de familiares a uma exposição prolongada. Outros apontam divergências sobre tempo de televisão e estrutura de campanha.
Faltando pouco para as convenções partidárias, o DC corre contra o relógio. A legenda precisa definir se seguirá com candidatura própria ou se buscará composição com siglas de centro. Para quadros do partido, o capital político de Joaquim Barbosa ainda poderá ser aproveitado como voz de apoio — mas, desta vez, fora da chapa principal.
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