O Tribunal do Júri de Guarulhos definiu um novo cronograma para o processo que investiga a participação de três policiais militares na morte do empresário Vinícius Gritzbach. A sessão, que havia sido aberta em 22 de junho de 2026 e anulada poucas horas depois, voltará a ocorrer entre 22 e 27 de fevereiro de 2027. A mudança foi confirmada após a dissolução do conselho de sentença provocada pelo abandono do plenário pelos advogados dos réus.
O julgamento começou com sete das nove testemunhas de acusação já ouvidas. Entretanto, um desentendimento entre a defesa e o Ministério Público levou os defensores a deixarem o salão, o que obrigou o juiz a anular o ato e desfazer o corpo de jurados. Como consequência, todo o procedimento precisará ser reiniciado, incluindo a escolha de um novo conselho popular e a escuta de 21 depoentes — número previsto na pauta original.
Respondem ao processo o tenente Fernando Genauro da Silva, o cabo Denis Antônio Martins e o soldado Ruan Silva Rodrigues, todos presos preventivamente desde 2025. Eles são acusados de envolvimento direto na execução de Gritzbach em 8 de novembro de 2024, dentro do estacionamento do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Segundo a denúncia, o trio teria se posicionado em pontos estratégicos para cercar o empresário e disparado contra ele em plena luz do dia.
Além da morte do empresário, o trio responde pelo homicídio do motorista de aplicativo Celso Novais, que passava pelo local no momento dos tiros, e pela tentativa de homicídio de outras duas pessoas feridas por estilhaços. O Ministério Público sustenta que a ação buscava silenciar Gritzbach, que havia fechado acordo de colaboração premiada com promotores e se comprometera a detalhar o esquema financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) e a expor policiais supostamente corruptos.
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Gritzbach, investigado por homicídio e lavagem de dinheiro, era apontado como um dos responsáveis por legalizar recursos ilícitos da facção criminosa. A acusação alega que a revelação de informações sensíveis sobre integrantes do grupo e agentes públicos teria motivado o assassinato.
Com a nova data fixada, as partes agora terão mais de sete meses para reorganizar suas estratégias. A expectativa do tribunal é de que o júri popular dure cinco dias, tempo suficiente para a oitiva das testemunhas de acusação e defesa, além do interrogatório dos réus.
Familiares de Gritzbach e de Celso Novais acompanharam o primeiro dia de julgamento e deverão voltar ao plenário em 2027. Já os advogados dos policiais afirmam que pretendem contestar novamente a legalidade de provas e apontar supostas falhas na investigação. O Ministério Público, por sua vez, mantém a acusação de execução sumária e busca a condenação dos militares.
Para garantir a segurança do novo julgamento, o fórum planeja reforçar o esquema com policiais judiciais e limitar o acesso ao plenário. A defesa ainda pode apresentar recursos até o início das sessões, mas, por ora, o cronograma entre 22 e 27 de fevereiro de 2027 está mantido.
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