Três policiais militares sentam no banco dos réus em Guarulhos nesta segunda. O caso envolve a morte do empresário e delator Vinícius Gritzbach, morto a tiros em 2024.
O Tribunal do Júri do Fórum Criminal de Guarulhos inicia HOJE, 22 de junho, o julgamento de três policiais militares apontados pela acusação como executores do empresário e delator Vinícius Gritzbach. A sessão, realizada sob rígido esquema de segurança, abre com a escolha dos sete jurados que decidirão o caso. A previsão é de que o rito se estenda por cerca de cinco dias, período em que todas as demais audiências do fórum permanecem suspensas e parte do entorno segue bloqueada para garantir a ordem.
Sentarão no banco dos réus o tenente Fernando Genauro da Silva, o cabo Denis Antônio Martins e o soldado Ruan Silva Rodrigues, todos presos preventivamente. Além da morte de Gritzbach, os três respondem pela execução do motorista de aplicativo Celso Novais, atingido quando passava pelo local, e pelo ferimento de duas pessoas que sofreram com estilhaços.
O caso ganhou repercussão nacional porque Gritzbach, réu por homicídio e investigado por lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), havia firmado acordo de delação premiada no qual apontou nomes de integrantes da facção e denunciou supostos atos de corrupção praticados por policiais.
“Espero justiça. O meu filho estava trabalhando, era um homem bom, um ótimo pai e marido. Tiraram a vida dele de forma inocente”, declarou, emocionada, a babá Aparecida Camilo, mãe do motorista Celso Novais, antes de entrar no fórum.
Do lado da defesa, os advogados sustentam inocência e falam em “manipulação” de provas pela Polícia Civil. Cláudio Dalledone, que representa Juan, promete demonstrar em plenário a existência de uma ala “corrupta” da corporação que teria interesse em silenciar Gritzbach.
Preços vistos na Amazon em 12/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
“Hoje vamos desmascarar essa opinião publicada que perdurou. Há documentos, materiais e testemunhas que indicam policiais civis extorquindo a vítima e interessados em sua morte”, afirmou Dalledone.
Mauro Ribeiro, defensor do tenente Genauro, argumenta que os réus sequer estavam em Guarulhos no dia 8 de novembro de 2024, data do crime no Terminal 2 do Aeroporto Internacional. Segundo ele, a narrativa da acusação “foi construída para encobrir os verdadeiros mandantes”.
“Eles foram arrastados por uma acusação dirigida, dissimulada e manipulada, que os trouxe para o banco dos réus”, acrescentou o advogado Renan Canto, que auxilia a defesa dos três militares.
Conduzida pelo juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo, a mesma autoridade que presidiu o julgamento do Massacre do Carandiru, a sessão seguirá o rito clássico do Júri: após a seleção dos jurados, serão ouvidas 21 testemunhas elencadas pela acusação — representada pelos promotores Vania Caceres Stefanoni e Rodrigo Merli Antunes — e pela defesa. Na sequência, os réus prestam depoimento e, por fim, acusação e defesa travam os debates orais. Concluída essa fase, os jurados deliberam e definem se Genauro, Martins e Rodrigues serão condenados ou absolvidos.
Em inquérito concluído em março do ano passado, a Polícia Civil indiciou seis pessoas, incluindo líderes do PCC apontados como mandantes e informantes que teriam monitorado o empresário. O relatório atribuiu o crime a vingança, associada a ordens de Gritzbach para eliminar dois aliados da facção na Grande São Paulo.
Com a abertura do júri popular, famílias das vítimas aguardam respostas enquanto a defesa investe na tese de que outro grupo planejou e executou o crime. O veredicto, porém, ficará nas mãos de sete cidadãos convocados a julgar um dos casos de maior repercussão policial dos últimos anos.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.








