O julgamento foi suspenso depois que a defesa abandonou o plenário em conflito com o promotor. Todo o processo recomeça do zero, sem data definida.
O julgamento que analisava a responsabilidade de três policiais militares pela morte do empresário Vinícius Gritzbach foi interrompido e oficialmente anulado nesta segunda-feira, 22 de junho. A decisão foi tomada após a defesa dos réus abandonar o plenário em meio a um desentendimento com o promotor do caso, o que levou à dissolução imediata do conselho de sentença.
Com a anulação, todo o processo precisará recomeçar desde a formação do novo júri até a apresentação das provas orais. O tribunal ainda não definiu a data de reinício, mas a expectativa é de que o procedimento siga os mesmos moldes planejados anteriormente: cinco dias de sessões, 21 testemunhas a serem ouvidas — nove delas arroladas pela acusação.
Na tarde de hoje, o colegiado já havia escutado sete testemunhas apresentadas pelo Ministério Público, cuja linha de argumentação relaciona o tenente Fernando Genauro da Silva, o cabo Denis Antônio Martins e o soldado Ruan Silva Rodrigues à execução de Gritzbach e de crimes conexos. Com a invalidação, esses testemunhos perderam validade e terão de ser repetidos quando o novo júri for constituído.
Os três policiais estão presos preventivamente e respondem, além da morte do empresário em 8 de novembro de 2024, pela morte do motorista de aplicativo Celso Novais, que transitava pelo Terminal 2 do Aeroporto Internacional de Guarulhos no momento dos disparos, e também pelo ferimento de duas pessoas atingidas por estilhaços.
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Gritzbach, antes de ser assassinado, enfrentava acusações de homicídio e de envolvimento em lavagem de dinheiro supostamente destinada à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Em 2024, ele firmou acordo de delação premiada com o Ministério Público, no qual mencionou policiais ligados a supostos esquemas de corrupção. Esse contexto reforçou a tese de que a execução teria sido planejada para silenciá-lo.
No plenário, o impasse processual se instaurou quando a defesa alegou que a atuação do promotor estaria excedendo os limites legais, levantando suspeitas de parcialidade. Sem consenso, os advogados optaram por deixar o salão do júri, o que juridicamente configura abandono de plenário e obriga o magistrado a dissolver o conselho de sentença, em conformidade com o Código de Processo Penal.
O novo julgamento precisará retomar todas as etapas, incluindo sorteio dos jurados, leitura da denúncia, interrogatórios dos réus e depoimentos de acusação e defesa. Especialistas apontam que a complexidade do caso, somada ao grande número de testemunhas e provas documentais, pode prolongar ainda mais a tramitação.
Enquanto isso, as famílias de Vinícius Gritzbach e de Celso Novais aguardam uma definição. Organizações que acompanham processos envolvendo agentes de segurança pública destacam que anulações de júri, embora previstas em lei, costumam aumentar o desgaste emocional das partes e sobrecarregar o sistema judiciário.
Por ora, o Tribunal do Júri prepara-se para remarcar audiências de instrução e adotar medidas que evitem novo abandono de plenário, buscando garantir que o próximo julgamento chegue a um veredicto sem interrupções.
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