Tensão tomou conta do Tribunal do Júri em Guarulhos (SP). Defesa alegou ofensas do MP e deixou a sala, forçando a dissolução do conselho e o cancelamento do julgamento.
A sessão do Tribunal do Júri que julgaria três policiais militares acusados de envolvimento na morte do empresário Vinícius Gritzbach terminou anulada após um clima de alta tensão, em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo. Os advogados dos réus deixaram o plenário nesta segunda-feira (22) alegando terem sido vítimas de ofensas pessoais durante a exposição do Ministério Público, o que resultou na dissolução imediata do conselho de sentença e no cancelamento do julgamento.
De acordo com a equipe de defesa, formam a banca os advogados Mauro Ribas, Renan Pacheco Canto e outros profissionais. Eles afirmaram que, ao longo dos debates, foram “reiteradamente associados” a supostos “defensores de assassinos de aluguel” e acusados de “conversar com assassinos”. Para os juristas, as expressões ultrapassaram os limites do embate processual e violaram prerrogativas da advocacia criminal.
“A sessão foi tomada por manifestações incompatíveis com o ambiente de respeito e urbanidade que deve nortear o Tribunal do Júri”, afirmou a nota divulgada pelos patronos.
O episódio mais sensível, segundo a defesa, envolveu uma referência do promotor Rodrigo Merlin a um atentado sofrido anteriormente por Mauro Ribas. A lembrança pública do trauma, enfatizam os advogados, foi “desvinculada do objeto do julgamento” e constituiu “afronta à dignidade profissional”.
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Frente ao impasse, os representantes dos policiais — o tenente Genauro, o cabo Denis e o soldado Ruan — decidiram retirar-se do local. Sem a presença obrigatória dos defensores, o juiz presidente declarou o júri prejudicado, dissolveu os sete jurados já sorteados e encerrou a sessão. Ainda não há data para nova audiência.
Os advogados anunciaram que adotarão “todas as providências institucionais e legais cabíveis” contra o que classificam como tentativas de deslegitimação da defesa técnica. Eles ressaltaram que o exercício da advocacia criminal é função essencial à administração da Justiça e não pode ser alvo de intimidações.
“Reafirmamos o compromisso com a defesa dos réus e aguardamos a designação de novo julgamento”, conclui o comunicado.
A acusação sustenta que os três policiais participaram do homicídio de Gritzbach, ocorrido em 2023, mas o mérito do caso segue sem análise definitiva. Até que o Tribunal agende um novo conselho de sentença, o processo permanece em aberto.
A anulação do júri reascende debate sobre os limites da retórica no plenário e as garantias de paridade de armas entre Ministério Público e defesa. Entidades da classe jurídica acompanham o desenrolar da situação e avaliam eventual representação disciplinar.
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