Sessão que julgava PMs pelo assassinato de Vinícius Gritzbach foi interrompida nesta segunda (22) em Guarulhos. Advogados abandonaram o plenário e o conselho de sentença foi dissolvido.
O julgamento que apura o assassinato de Vinícius Gritzbach foi interrompido HOJE, 22 de junho de 2026, depois de um impasse entre a defesa dos três policiais militares réus e o promotor responsável pelo processo. O desentendimento levou os advogados a deixarem o plenário do Tribunal do Júri, instalado no Fórum Criminal de Guarulhos, e resultou na dissolução imediata do conselho de sentença. Sem jurados, o júri popular foi oficialmente anulado.
A sessão começou no início da manhã e, até o momento da suspensão, sete testemunhas já haviam sido ouvidas. Entre elas estava Simone Fernandes Novais, agente de saúde e viúva de Celso Araújo Sampaio de Novais, motorista de aplicativo que perdeu a vida durante o mesmo atentado em que Gritzbach foi executado no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em 8 de novembro de 2024.
“Vim buscar justiça pelo Celso e por todas as famílias atingidas. Foi doloroso ver tudo parado de repente”, lamentou Simone, visivelmente emocionada, ao deixar o fórum.
Segundo pessoas que acompanhavam a audiência, a tensão começou quando o promotor questionou a estratégia da defesa ao solicitar a reprodução de vídeos antes da oitiva de testemunhas. A divergência escalou, culminando na retirada de toda a equipe de defensores dos réus. Diante do abandono, o juiz presidente da sessão não teve alternativa senão dissolver o conselho de sentença, conforme prevê o Código de Processo Penal.
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Com a anulação, o processo volta à estaca zero na fase de julgamento. Um novo júri deverá ser marcado, mas ainda não há data definida. A secretaria da Vara do Júri de Guarulhos informará oficialmente as partes assim que o calendário for recomposto.
Os réus continuam respondendo em liberdade às acusações de homicídio qualificado. A denúncia afirma que o trio, todos policiais militares, teria fornecido apoio logístico à ação criminosa que resultou na morte de Gritzbach. O ataque, realizado por homens fortemente armados, também deixou outras pessoas feridas de raspão.
No âmbito criminal, a anulação do júri significa que as provas colhidas até agora — depoimentos, perícias balísticas e laudos de localização dos suspeitos — permanecem válidas. No entanto, os jurados que seriam responsáveis por dar o veredicto deverão ser sorteados novamente, e todas as fases de debates entre acusação e defesa precisarão ser repetidas.
Familiares das vítimas expressaram frustração com o adiamento. Eles aguardam um desfecho para o caso que se arrasta há quase dois anos. Já representantes da defesa classificaram o episódio como fruto de “cerceamento de prerrogativas profissionais” e disseram confiar que o próximo júri ocorrerá sem incidentes.
Até o fechamento desta reportagem, o Ministério Público não havia se manifestado oficialmente sobre a data da nova sessão. O tribunal sinalizou apenas que a redesignação será “oportuna” e respeitará a disponibilidade do corpo de jurados.
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