A Justiça do Rio Grande do Sul autorizou Mayanna Angelina Rodgers, presa preventivamente, a deixar temporariamente a penitenciária para acompanhar o velório do filho Oliver Grayson, de 3 anos. A cerimônia fúnebre será realizada nesta quarta-feira, 22, das 14h às 16h, no Cemitério Municipal de Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, sob escolta da Brigada Militar e de agentes do sistema prisional.
O município de Viamão arcará com todas as despesas do funeral. A medida foi possível depois que o Judiciário determinou a liberação do corpo da criança ao poder público, suprindo a ausência de familiares aptos a providenciar o sepultamento. O corpo permanecia no Instituto Médico Legal (IML) desde a confirmação do óbito.
Na segunda-feira, 20, o Ministério Público estadual confirmou que o juiz de plantão autorizou tanto a transferência do corpo quanto a saída humanitária da mãe. A decisão atendeu a um pedido apresentado pela defesa de Mayanna, que argumentou a necessidade de garantir à investigada o direito de se despedir do filho.
Conforme o despacho judicial, Mayanna deverá permanecer algemada apenas durante o trajeto, podendo ficar sem as algemas dentro do cemitério, desde que não ofereça riscos. A Secretaria de Segurança Pública se responsabilizou pela logística de transporte e segurança.
“Ele se recusou a me dar ‘bom dia’. Então dei socos no peito e no abdômen e bati a cabeça dele no chão”
A declaração acima, atribuída ao pai Dandre Jermaine Grayson, consta no inquérito da Polícia Civil e sustenta a acusação de homicídio duplamente qualificado. O menino morreu no início de julho, três dias após ser internado em estado crítico na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre.
Dandre está detido e responderá por homicídio qualificado por meio cruel e motivo fútil. Já Mayanna continua sendo investigada. A Polícia Civil apura se ela participou diretamente das agressões ou se deixou de impedir o crime. Em depoimento, Dandre alegou que a companheira estava em outro cômodo no momento da violência, mas os investigadores trabalham com a hipótese de conivência ou omissão.
Assistentes sociais do município acompanham o caso para oferecer suporte psicossocial à família extensa da criança, que ainda avalia se moverá ações cíveis de responsabilização. A prefeitura informou que, após o sepultamento, cuidará da manutenção do jazigo e garantirá acompanhamento psicológico a parentes próximos.
A saída temporária de Mayanna encerra-se imediatamente após o término do velório. Ela será reconduzida ao Presídio Feminino Madre Pelletier, em Porto Alegre, onde permanece à disposição da Justiça. O inquérito policial, segundo a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Viamão, deve ser concluído até o fim de julho e remetido ao Ministério Público para eventual denúncia.
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