O Escritório Nacional de Processos Eleitorais do Peru (ONPE) encerrou HOJE, 29/06, a contagem dos votos da eleição presidencial e confirmou a vitória de Keiko Fujimori, do Fuerza Popular. A candidata conservadora somou 50,135% dos votos válidos, equivalente a 9.223.396 sufrágios, superando por estreita diferença de 49.641 votos o adversário Roberto Sánchez, do Juntos por el Perú, que obteve 9.173.755 votos, ou 49,865%.
Esta foi a quarta tentativa de Keiko, de 51 anos, conquistar o Palácio de Governo. Ela passou perto em 2011, 2016 e 2021, sempre derrotada no segundo turno. Formada em Administração pela Universidade de Boston, a política tornou-se, em 2006, a deputada mais votada da história peruana, com 600 mil votos. Agora, converteu esse histórico de apoio popular na conquista do cargo máximo do país.
Filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1938–2024), Keiko carrega o legado do fujimorismo, corrente que defende políticas econômicas liberais implementadas entre 1990 e 2000. O pai dela foi destituído, respondeu por violações de direitos humanos e acabou condenado após ser extraditado do Chile em 2007. A nova presidente também enfrentou investigações: em 2018, foi presa preventivamente no âmbito do caso Odebrecht, acusada de receber recursos ilícitos na campanha de 2011. Entre 2018 e 2020 alternou períodos em liberdade e reclusão até ter a prisão revogada mediante fiança.
Durante a campanha, Keiko prometeu endurecer a política migratória, estimular investimentos privados e fortalecer a relação com os Estados Unidos. A posse está marcada para 28 de julho, quando o presidente interino José María Balcázar transmitirá o cargo. Até lá, o país vive mais uma transição em meio a um histórico recente de instabilidade: desde 2000, apenas três presidentes concluíram o mandato, cinco foram depostos e dois renunciaram.
O cenário tornou-se ainda mais volátil na última década. Pedro Pablo Kuczynski renunciou em 2018; Martín Vizcarra foi destituído em 2020; Manuel Merino governou apenas cinco dias; Francisco Sagasti completou o mandato até a posse de Pedro Castillo, deposto em 2022. Dina Boluarte sofreu impeachment em 2025, José Jerí caiu em fevereiro de 2026 e, desde então, Balcázar comanda o Executivo.
Analistas observam que a diferença inferior a 0,3 ponto percentual exigirá habilidade de Keiko para negociar com um Congresso fragmentado. Além disso, a promessa de expulsar imigrantes já provoca reações de organizações civis e pode tensionar relações com países vizinhos. O ONPE informou participação eleitoral acima de 78% e destacou não ter registrado ocorrências que comprometessem a legitimidade do pleito.
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