A contagem quase finalizada dos votos no Peru confirmou, na quarta-feira (24/06), que Keiko Fujimori, 51 anos, sustentou uma dianteira considerada irreversível sobre o adversário Roberto Sánchez. Com 99,86% das urnas apuradas, a candidata de direita registrou 50,118% dos sufrágios, enquanto o representante da esquerda somou 49,882%, segundo dados do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).
A diferença, de pouco mais de 43 mil votos em um universo superior a 19 milhões, tornou-se matematicamente impossível de ser revertida: restavam apenas 39,3 mil votos a serem computados, distribuídos em 131 atas eleitorais. O segundo turno ocorreu em 7 de junho e mobilizou eleitores dentro e fora do país.
Apesar da vantagem, a Força Popular — legenda de Keiko — informou que aguardaria a totalização de 100% para se declarar oficialmente vencedora. O Júri Nacional de Eleições (JNE) confirmou que o resultado definitivo seria proclamado somente após a conclusão de trâmites formais, dentro de alguns dias, prática comum no país.
“Apenas os órgãos eleitorais podem validar o resultado”, lembrou Luis Galarreta, candidato a vice na chapa de Keiko, ao comentar as contestações do rival.
Sánchez, 57 anos, comunicou à imprensa, ainda na terça-feira (23), que não aceitaria um eventual governo Fujimori. Ele alegou “graves irregularidades” na votação realizada no exterior — cerca de 300 mil cédulas, majoritariamente favoráveis à opositora — e anunciou recurso a instâncias internacionais, além de convocar nova manifestação para sábado (27) em Lima.
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O JNE julgou improcedente o pedido de anulação desses votos por questões processuais, incluindo apresentação fora do prazo e ausência de pagamento de taxas. Mesmo assim, o candidato insistiu que, sem o voto estrangeiro, manteria uma vantagem de quase 25 mil sufrágios.
A disputa acirrada refletiu divisões regionais. Keiko conquistou a costa e centros urbanos importantes; Sánchez prevaleceu em áreas rurais andinas. A pauta da segurança pública — prioridade para quase 70% dos peruanos segundo pesquisa local — impulsionou o discurso da filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o país de 1990 a 2000.
A eleição marcou mais um capítulo da instabilidade política que já levou oito presidentes ao Palácio Pizarro desde 2016. Quem for confirmado no cargo assumirá em 28 de julho, sucedendo o interino José María Balcázar, com mandato de cinco anos.
Observadores da União Europeia avaliaram o segundo turno como “tranquilo e ordenado”, mesmo em cenário de campanha polarizada. Ao longo da apuração, os dois concorrentes alternaram liderança até que Keiko consolidou a ponta, reacendendo o debate sobre o legado do fujimorismo e seus impactos no futuro do país.
Caso a vitória se confirme, será a primeira vez que Keiko Fujimori alcançará a presidência após quatro tentativas consecutivas. Seus apoiadores creditam ao sobrenome a estabilização econômica dos anos 1990, enquanto críticos lembram as condenações impostas ao pai por corrupção e violações de direitos humanos.
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