Com 99,9% das urnas apuradas, o Peru definiu sua nova chefe de Estado: Keiko Fujimori, 51 anos, líder do Fuerza Popular, é a vencedora do segundo turno presidencial. A candidata alcança 9.206.241 votos, equivalente a 50,11% do total válido, contra 9.162.855 sufrágios (49,88%) obtidos por Roberto Sánchez, do Juntos por el Perú. A diferença de pouco mais de 43 mil votos não pode mais ser revertida, segundo a contagem oficial.
O Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) atualizou os números às 2h de quarta-feira, 24/06, e informou que restam apenas cerca de 40 mil cédulas a serem processadas. Mesmo que todos esses votos fossem atribuídos ao adversário, não haveria possibilidade de virada. A disputa apertada mantém o país atento desde 07/06, data do pleito, marcando 17 dias consecutivos de apuração quase toda manual, característica do sistema eleitoral peruano.
Nesse período, a liderança alternou de lado várias vezes. Sánchez chegou a abrir vantagem na primeira semana, mas foi ultrapassado por Fujimori quando a contagem do interior e dos distritos externos avançou. O clima de tensão tomou as ruas de Lima e de outras grandes cidades, com manifestações diárias de eleitores favoráveis a cada campanha.
“Há indícios de manipulação de atas e não reconheceremos um resultado manchado por fraude”, afirmou Roberto Sánchez na noite de terça-feira, 23/06, convocando simpatizantes a protestar.
O candidato apresentou petições ao Júri Nacional de Eleições pedindo a anulação de urnas registradas em consulados e comunidades rurais. Juristas locais avaliam que eventuais revisões não devem alterar substancialmente a diferença, mas a tramitação pode atrasar a proclamação oficial.
Keiko Fujimori entra para a história como a primeira mulher escolhida pelo voto direto para comandar o Peru. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o país entre 1990 e 2000, ela concorreu nas últimas três eleições: em 2011 e 2016 foi derrotada no segundo turno, e em 2021 não avançou. Durante a campanha atual, a conservadora prometeu estabilidade fiscal, combate à corrupção e programas sociais focados em microempreendedores.
Analistas ressaltam que o novo governo encontrará um cenário institucional delicado. O Peru terá seu nono presidente em apenas 10 anos, reflexo de sucessivas destituições, renúncias e impasses entre Executivo e Congresso unicameral. Fujimori sinaliza disposição para dialogar com bancadas de direita, centro e esquerda a fim de garantir governabilidade. Ainda não há data confirmada para a posse, mas a Constituição determina que o mandato comece em 28 de julho, Dia da Independência peruana.
A equipe de transição deverá ser anunciada nos próximos dias. Entre as prioridades citadas pela presidente eleita estão a recuperação econômica pós-pandemia, a conclusão do processo de vacinação contra a Covid-19 e a retomada de grandes projetos de infraestrutura. Observadores internacionais elogiaram a transparência da votação, embora tenham recomendado ao país modernizar o sistema de apuração para reduzir atrasos e minimizar questionamentos futuros.
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