O empresário anunciou nesta quarta (30) que abre mão da candidatura pelo PRTB, citando razões técnicas, jurídicas e pessoais. Ele diz não apoiar nenhum candidato e deixa a sigla sem nome próprio na corrida ao Planalto.
O empresário Leonardo Avalanche anunciou, nesta quarta-feira (30), que não disputará mais a Presidência da República pelo PRTB. A decisão foi comunicada em uma rede social e encerra uma campanha que havia começado há menos de um mês, após mudanças internas no partido. Ao revelar a desistência, o agora ex-candidato argumentou que as razões são “técnicas, jurídicas e pessoais”.
“Não manifestarei apoio a nenhum dos candidatos, por entender que nenhum deles nos representa.”
Com o recuo, o PRTB volta a ficar sem um nome próprio na corrida ao Palácio do Planalto. Até agosto, a legenda tentava viabilizar a participação do coach e influenciador Pablo Marçal, mas o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indeferiu o registro dele ao aceitar parecer do Ministério Público Eleitoral. Os procuradores sustentaram que Marçal não estava filiado ao PRTB dentro do prazo legal para troca de legenda e, por unanimidade, a Corte barrou a candidatura.
A decisão sobre Marçal ainda trouxe consequências mais amplas: o TSE declarou o empresário inelegível até 2032 por abuso de poder político e econômico na campanha à prefeitura de São Paulo, em 2024. Com o impedimento, a direção do PRTB buscou uma alternativa de última hora e escolheu Avalanche, que se apresentava como representante da direita no pleito nacional.
Dentro do partido, a expectativa era manter um discurso voltado para empreendedores e eleitores conservadores. Avalanche, no entanto, encontrava dificuldades logísticas para estruturar palanques estaduais e garantir tempo de propaganda em rádio e TV. Assessores próximos relatavam também obstáculos para cumprir exigências documentais relativas ao registro de candidatura e à prestação de contas preliminar.
Esses fatores, segundo interlocutores, pesaram no cálculo político. Aliados afirmam que o desempenho abaixo do esperado em pesquisas internas e a projeção de gastos adicionais para as semanas finais de campanha contribuíram para a decisão divulgada hoje. Ainda não há indicativo de que o PRTB lançará novo nome, e a sigla pode optar por liberar seus filiados para apoiarem quem desejarem.
Especialistas ouvidos nos bastidores lembram que a saída de Avalanche ocorre a menos de uma semana do primeiro debate televisivo entre presidenciáveis, tradicional termômetro de viabilidade eleitoral. Sem participar, o PRTB perde exposição nacional gratuita, algo considerado vital para partidos de menor estrutura. Dirigentes regionais agora avaliam focar esforços nas disputas proporcionais, sobretudo nas chapas para Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas.
Enquanto isso, os demais concorrentes seguem ajustes finais de estratégia. A descompressão de um candidato identificado com o eleitorado conservador pode redistribuir votos entre legendas que disputam esse espaço ideológico. Pesquisas qualitativas analisadas por consultorias mostram que parte do eleitorado de Avalanche demonstra baixo grau de fidelidade partidária, o que reforça a imprevisibilidade do efeito prático da retirada.
Em nota lacônica divulgada pelo comitê de campanha poucas horas após a postagem, integrantes do staff reiteraram que o empreendedor permanecerá “engajado em pautas de fortalecimento do ambiente de negócios” e que pretende “continuar colaborando com debates sobre liberdade econômica”. O texto não menciona planos de filiação futura nem possibilidade de candidatura a outro cargo.
Com o anúncio, encerra-se um dos capítulos mais breves da atual corrida presidencial, marcado por troca de nomes, decisões judiciais e dificuldades operacionais. O calendário eleitoral, porém, avança sem alterações: a propaganda gratuita segue programada, e o primeiro turno está mantido para 6 de outubro.
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