Um levantamento realizado pelo Instituto Update sobre os 12 planos de governo registrados para a corrida presidencial mostra que as candidaturas incluem propostas voltadas às mulheres em espectros políticos distintos, mas concentram-se principalmente em quatro eixos: combate à violência, saúde, cuidado e autonomia econômica. O estudo analisa exclusivamente medidas que mencionam explicitamente mulheres, deixando de fora políticas universais que não fazem esse recorte.
Entre os temas avaliados, o combate à violência contra as mulheres é o mais abordado: nove dos 12 programas trazem ações específicas para enfrentar feminicídio, agressões domésticas ou proteção às vítimas. Caso o critério incluísse toda menção genérica à violência doméstica, o número subiria para dez. As ideias variam da ampliação de casas-abrigo à integração entre segurança, Justiça e assistência social, passando por monitoramento eletrônico de agressores e endurecimento penal.
“Os programas reconhecem problemas que afetam diretamente as mulheres, mas avançam menos quando se trata de incorporá-las como sujeitos de decisão e de pensar sua experiência cotidiana de forma mais ampla”, disse Carol Althaller, diretora executiva do Instituto Update.
A pesquisa também mede o espaço dedicado à participação feminina no poder. Apenas um candidato apresenta proposta detalhada sobre incentivo à presença de mulheres na política, incluindo combate à violência política de gênero, formação de candidatas e regras de financiamento partidário. Com um critério mais amplo — presença de mulheres em cargos de liderança — um segundo plano passa a contemplar mecanismos de incentivo e a promessa de indicações femininas ao Supremo Tribunal Federal.
No campo da autonomia econômica, sete propostas trazem ações direcionadas, sejam elas igualdade salarial, acesso a crédito ou incentivo ao empreendedorismo. Há diferenças de abordagem: alguns planos enfatizam direitos trabalhistas, proteção social e creches; outros priorizam educação financeira e construção de patrimônio.
“Outro ponto importante é diferenciar a presença de um tema de uma proposta de fato estruturada. Em vários casos, há referências relevantes, mas com pouco detalhamento sobre implementação, metas, instrumentos ou articulação com políticas já existentes”, acrescentou Althaller.
O cuidado — entendido como provisão de creches e apoio a quem exerce tarefas domésticas — aparece explicitamente em sete programas. O instituto observa que, embora a maioria reconheça a sobrecarga feminina, ainda há divergência sobre enxergar o cuidado como infraestrutura pública ou como responsabilidade compartilhada com o setor privado.
Por fim, a pesquisa destaca uma lacuna: segurança no ambiente público. Apenas um candidato relaciona a proteção das mulheres a mobilidade urbana, iluminação de vias e transporte coletivo. Dados colhidos em estudos anteriores do mesmo instituto indicam que 79% das mulheres relatam medo ao sair à noite e 59% já deixaram de frequentar locais por sensação de insegurança, sinalizando um desafio subexplorado nos planos presidenciais.
Para o Instituto Update, as propostas revelam consenso sobre a gravidade da violência e a necessidade de melhorar a saúde e a autonomia financeira das mulheres, mas mostram caminhos distintos para alcançá-las e pouca ênfase na presença efetiva delas nos espaços de poder.
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