Chefes de Estado dos cinco continentes manifestaram, nesta quinta-feira (25), solidariedade à Venezuela depois dos dois fortes terremotos de 7,2 e 7,5 graus na escala Richter que abalaram o país na quarta-feira, 24/06. As mensagens vieram acompanhadas de ofertas concretas de ajuda humanitária, logística e financeira, numa mobilização internacional que se formou poucas horas após a confirmação dos primeiros danos.
De acordo com o governo venezuelano, o balanço preliminar registra 164 mortos e 970 feridos, números que podem crescer. Projeções do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) indicam a possibilidade de “dezenas de milhares de vítimas” e um impacto econômico estimado entre 1% e 7% do Produto Interno Bruto venezuelano.
“Valorizamos sinceramente esse gesto de solidariedade e fraternidade entre os nossos povos”, declarou a presidente encarregada Delcy Rodríguez ao responder à mensagem brasileira.
Do Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou para Caracas, oferecendo equipes de busca, hospitais de campanha e envio de mantimentos. A iniciativa foi replicada por França, Itália, Espanha, União Europeia, Turquia, China, Índia, Rússia, Paquistão, União Africana, Arábia Saudita, Irã, Colômbia, Chile, Argentina, Peru, Bolívia, Panamá, México e Estados Unidos, além de organismos multilaterais que articulam voos de emergência.
Em Washington, o presidente Donald Trump usou as redes sociais para anunciar a formação de um grupo de resposta rápida, composto por especialistas em resgate, médicos e engenheiros. O secretário de Estado, Marco Rubio, confirmou o envio imediato de equipamentos de detecção de sobreviventes sob escombros.
“Instruí todas as agências do nosso governo a se prepararem para agir rapidamente. Estaremos lá para nossos novos e queridos amigos”, escreveu Trump.
No Caribe, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel informou que profissionais de saúde de Cuba já estão no território venezuelano. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, determinou a mobilização de bombeiros e cães farejadores.
“O México sempre se solidariza — e continuará a se solidarizar — com os outros”, afirmou Sheinbaum.
Até mesmo velhas rivalidades deram lugar à cooperação. O chefe de Estado da Guiana, Irfaan Ali, país que disputa a região de Essequibo com a Venezuela, ofereceu suporte técnico e suprimentos. A atitude foi publicamente agradecida por Delcy Rodríguez, que destacou o “sentido de vizinhança” entre as nações.
Na Ásia, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, reiterou disposição para fornecer tendas, purificadores de água e geradores de energia, reforçando a confiança de Pequim na capacidade venezuelana de reconstruir as áreas afetadas. Também pronunciou-se o governo da Índia, que prepara uma remessa de medicamentos e alimentos de alto valor calórico.
Equipes de avaliação rápida da ONU e da Cruz Vermelha Internacional desembarcam em Caracas nas próximas horas, enquanto as Forças Armadas Venezuelanas trabalham para restabelecer comunicação em zonas rurais isoladas. Autoridades locais relatam cortes de energia, deslizamentos de terra e danos em rodovias estratégicas.
O Ministério do Interior venezuelano recomendou que a população evite áreas de risco, mantenha-se informada por canais oficiais e participe de ações de voluntariado apenas mediante orientação especializada. Os tremores principais foram seguidos por dezenas de réplicas, algumas acima de 4,0 graus, reforçando o alerta às comunidades costeiras e serranas.
A expectativa é de que comboios com suprimentos cheguem ao país a partir da manhã de 26/06. Paralelamente, governos avaliam a criação de um fundo emergencial para reconstrução de escolas, hospitais e redes de saneamento. Especialistas alertam que a velocidade do socorro será decisiva para reduzir o número de vítimas indiretas, como as provocadas por doenças e falta de água potável.
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