O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai concentrar atenções em Brasília nesta quarta-feira, 24 de junho, quando está previsto um encontro decisivo com o ex-ministro Márcio França (PSB), o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). O objetivo central da reunião é definir, de uma vez por todas, a formação da chapa governista que disputará o Palácio dos Bandeirantes nas eleições estaduais.
Interlocutores do PT em São Paulo relatam que Lula manifestou preferência por uma composição em que Márcio França ocupe a vaga de vice na candidatura liderada por Haddad. Essa alternativa, avaliam petistas, ampliaria o arco de alianças, unificando PT e PSB num palanque considerado estratégico para a campanha presidencial.
França, entretanto, vinha demonstrando disposição de concorrer ao Senado Federal. Com Simone Tebet (PSB) já confirmada em uma das vagas para a Câmara Alta, ele disputava a segunda posição com a ex-ministra Marina Silva (Rede). A matemática mudou quando Paulo Serra (PSDB) e Kim Kataguiri (Missão) anunciaram, no fim de semana, a desistência de lançar candidaturas próprias ao governo paulista. O cenário sem uma “terceira via” elevou a pressão sobre França para que ele se mantenha na corrida pelo Bandeirantes.
Aliados do ex-ministro argumentam que, se a disputa ficar restrita a dois polos, aumentam as chances de Tarcísio de Freitas (Republicanos) vencer já no primeiro turno. Esse desfecho, avaliam, enfraqueceria a estratégia nacional dos partidos de esquerda, pois Lula ficaria sem um aliado na reta final do maior colégio eleitoral do país. Além disso, na análise dos mesmos interlocutores, uma vitória precoce liberaria Tarcísio para atuar como cabo eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL) em outras frentes de campanha.
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Do lado de Haddad, o raciocínio é diferente. Petistas próximos ao ex-prefeito entendem que França tende a tirar votos do próprio Haddad, e não de Tarcísio. Para esse grupo, o ex-governador de São Paulo contribuiria mais para a coalizão se aceitasse a vice, fortalecendo a chapa ao atrair setores moderados do eleitorado e apresentando um discurso unificado contra o atual governador.
Até o momento, nenhuma das legendas envolvidas confirma oficialmente a posição que cada um defenderá na conversa de Brasília. Dirigentes admitem, porém, que Lula deseja sair da reunião com a equação resolvida. Com o calendário eleitoral avançando, a indefinição prolongada pode comprometer a montagem de palanques regionais e a arrecadação de recursos para a campanha.
Se confirmado, o formato Haddad-França contará com o respaldo de Alckmin, que tem atuado como mediador entre as duas siglas. Caso França insista na disputa majoritária, o PT deverá buscar um novo nome para a vice, enquanto o PSB recalcula sua participação na coligação.
A reunião desta quarta-feira, portanto, promete ser decisiva não apenas para o tabuleiro paulista, mas também para a estratégia nacional de 2026. Todos os movimentos estão sendo acompanhados de perto pelos demais pré-candidatos, que já ajustam suas agendas conforme o resultado esperado do encontro em Brasília.
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