Durante visita à Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz), no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira, 17 de julho, que só vai se pronunciar sobre a tarifa de 25% aplicada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros depois que o presidente norte-americano, Donald Trump, se manifestar publicamente sobre o tema.
“Eu vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar. Quando o Trump falar, eu falarei. Enquanto ele não falar, eu não falarei.”
A declaração ocorreu ao fim de um discurso focado principalmente no Sistema Único de Saúde (SUS) e em programas destinados à saúde da mulher. Lula destacou que, no momento, prefere priorizar assuntos ligados ao atendimento público em saúde e rechaçou a ideia de dividir atenções com o embate comercial imposto por Washington.
“A notícia tem que ser o SUS, as nossas carretas da saúde da mulher, o tratamento das mulheres.”
O presidente visitou instalações onde estão sendo organizadas unidades móveis voltadas a exames preventivos e atendimento especializado feminino. Segundo ele, a estratégia pretende ampliar a cobertura de mamografias e outros procedimentos em regiões carentes.
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Sob críticas frequentes ao sistema de saúde pública, Lula aproveitou para defender os avanços obtidos nos últimos anos. Para ele, o reconhecimento internacional de algumas políticas sanitárias brasileiras demonstra que os serviços oferecidos são competitivos, apesar de ainda enfrentarem gargalos de financiamento e gestão.
“Não somos os melhores do mundo, mas nós temos que ter orgulho de sermos brasileiros. Ninguém ouse falar mal do Brasil.”
Ao ser questionado por jornalistas sobre eventuais respostas às medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos, Lula reiterou que qualquer posicionamento oficial dependerá da postura de Trump. A tarifa de 25% atinge produtos de setores estratégicos da economia nacional, e empresas exportadoras aguardam indicações de possíveis contrapartidas brasileiras.
Nos bastidores, integrantes da equipe econômica monitoram impactos na balança comercial, mas o Palácio do Planalto sustenta que negociações diplomáticas devem ocorrer em alto nível, diretamente entre os chefes de Estado. Até o momento, a Casa Branca não divulgou comunicado formal a respeito das reações brasileiras.
Com a recusa de Lula em antecipar comentários, o governo mantém suspense sobre eventual adoção de medidas de retaliação ou encaminhamento de queixas em organismos internacionais. Enquanto isso, representantes do agronegócio e da indústria acompanham de perto os desdobramentos, calculando potenciais custos adicionais e ajustes em cadeias produtivas.
Ainda na ENSP, o presidente reforçou que novas políticas públicas para a saúde da mulher serão anunciadas nas próximas semanas, com foco em prevenção, diagnóstico e tratamento de câncer de mama e de colo do útero. Ele concluiu o evento reiterando a confiança na capacidade do SUS de responder às demandas da população, desde que receba os recursos necessários para expansão de serviços e modernização de infraestrutura.
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