O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira (17), que não pretende transformar a recente cobrança de 25% sobre produtos brasileiros em um embate diplomático clássico com os Estados Unidos. Em visita ao Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), no Rio de Janeiro, o chefe do Executivo reforçou que seu interesse é disputar a narrativa e provar quem, na visão dele, sustenta argumentos verídicos na discussão comercial.
“Eu já falei três vezes ao presidente Trump que o Brasil não tem nenhum interesse em fazer guerra. Nós somos da paz. Agora, a guerra que eu quero fazer com ele é a guerra da narrativa, a guerra da verdade. Eu quero provar ao mundo quem está dentro da verdade nessa guerra tarifária entre Brasil e Estados Unidos”, declarou Lula diante de servidores do instituto.
Mais cedo, durante agenda na Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, também na capital fluminense, o presidente já havia sinalizado que só comentaria o chamado “tarifaço” depois de ouvir a versão da Casa Branca. A postura, segundo ele, busca evitar ruídos antes que Washington apresente publicamente suas justificativas.
“Eu vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar. Quando o Trump falar, eu falarei. Enquanto ele não falar, eu não falarei. No Brasil, ninguém ganha mentindo. Ou é mais verdadeiro que nós, ou não vai enganar a sociedade brasileira”, afirmou.
A sobretaxa foi anunciada no início da semana pelo governo norte-americano e atinge itens do agronegócio, siderurgia e segmentos de manufaturados. A medida gerou reação imediata de empresários brasileiros, que cobram uma resposta institucional. Por enquanto, o Palácio do Planalto afirma acompanhar o caso por meio dos Ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, mas evita detalhar estratégias.
Preços vistos na Amazon em 07/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
Ao sinalizar a preferência por uma “guerra da verdade”, Lula também buscou afastar temores de retaliação direta, como elevação imediata de impostos sobre bens importados dos Estados Unidos. Interlocutores do governo defendem a abertura de diálogo técnico com o Departamento de Comércio norte-americano antes de qualquer passo que eleve a tensão bilateral.
No cenário político interno, aliados do presidente comemoraram o tom moderado adotado nesta sexta-feira, avaliando que a ênfase em dados e transparência reforça a imagem de confiabilidade do país junto a investidores estrangeiros. Lideranças do setor produtivo, contudo, pressionam por rapidez e clareza, lembrando que o aumento de 25% pode comprometer acordos firmados ao longo do último ano.
Embora tenha rechaçado a ideia de confronto, Lula deixou claro que não recuará do debate público sobre o tema. Assessores próximos confirmam que o governo prepara dossiê com informações sobre a cadeia produtiva brasileira para embasar futuras negociações. Ainda não há data definida para a apresentação desse material, que deverá reunir estatísticas de exportação, estudos de impacto e notas técnicas.
Por ora, a expectativa é de que Brasília aguarde um pronunciamento oficial do presidente Donald Trump. Até lá, o Planalto promete manter tom diplomático, mas vigilante, com objetivo declarado de sustentar a competitividade dos produtos nacionais no mercado internacional.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.








