O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a adotar tom irônico ao comentar a política externa dos Estados Unidos e o cenário eleitoral brasileiro. Na noite de segunda-feira, 20 de julho, durante a convenção nacional do PDT em Brasília, o chefe do Executivo disse que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, “pode vir e montar um comitê” caso deseje apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), declarado pré-candidato à Presidência da República.
“Se o secretário de Estado americano quiser vir apoiar o meu adversário, que venha. Vamos derrotar todos em nome da defesa da democracia neste país”, afirmou Lula, encerrando seu discurso de pouco mais de 30 minutos.
A presença do petista no evento marcou a primeira aparição oficial como pré-candidato à reeleição. O PDT tornou-se a primeira legenda a oficializar aliança com Lula, enquanto o PT marcou sua própria convenção nacional para 2 de agosto, em São Paulo.
A fala do presidente foi permeada por críticas à recente decisão dos Estados Unidos de impor tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Menos de uma semana antes, em 16 de julho, Marco Rubio publicara na rede social X que a taxação ocorrera porque Lula teria “priorizado o próprio ego” e não teria negociado “de boa-fé”. Em resposta, o mandatário brasileiro reforçou a defesa da soberania nacional:
“Nós erramos por nós e acertamos por nós; ninguém nos diz o que fazer. Nós decidimos o que fazer”, declarou, arrancando aplausos do público presente.
Reportagem do jornal norte-americano The New York Times, divulgada em 11 de julho, apontou que Rubio atua como governante de facto da Venezuela desde a captura de Nicolás Maduro, em janeiro, pelos Estados Unidos. De acordo com o diário, o secretário mantém contato direto com a presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, e controlaria finanças e recursos naturais do país vizinho.
No palco do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, Lula chegou às 19h30, precedido por dirigentes partidários. O presidente do PT, Edinho Silva, anunciou sua entrada às 19h, em meio a gritos de militantes e jingles de campanha. A agenda seguiu o protocolo adotado pela equipe presidencial para eventos de caráter eleitoral, restritos ao período pós-expediente, geralmente após as 18h.
O discurso também funcionou como pontapé para a fase de intensificação da campanha. Lula listou programas sociais, defendeu a integração latino-americana e voltou a criticar barreiras comerciais dos Estados Unidos. Ele prometeu manter diálogo aberto com observadores internacionais nas eleições de outubro, mas frisou que “decisões do povo brasileiro serão respeitadas, sem tutelas externas”.
Ao final, o pré-candidato agradeceu ao PDT pela aliança e posou para fotos ao lado de parlamentares e governadores. A equipe de comunicação informou que os próximos compromissos de Lula incluirão agendas em Minas Gerais, Bahia e Pará, ainda nesta semana, todas fora do horário de expediente oficial.
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