Vanderlei Luxemburgo, ex-treinador da Seleção, não poupou palavras ao avaliar o trabalho de Carlo Ancelotti após a eliminação para a Noruega na Copa do Mundo, ocorrida neste domingo, 05/07. Por meio de vídeos e textos publicados em suas redes sociais, o técnico brasileiro disparou contra o colega italiano e contra a cobertura da imprensa esportiva.
“Ancelotti errou e errou muito, mas vocês não falam nada! Se fosse um técnico brasileiro, vocês tinham arrebentado com ele. A imprensa é subserviente aos europeus e quer que o Brasil jogue como eles”, afirmou Luxemburgo.
O confronto das oitavas de final terminou 2 a 1 para os noruegueses, resultado que prolongou o jejum de títulos mundiais do Brasil, que já dura 24 anos. A Seleção não passava por uma saída tão precoce desde 2010. Para Luxemburgo, o desempenho foi reflexo direto das escolhas de Ancelotti, sobretudo a estratégia adotada diante de um adversário considerado tecnicamente inferior.
“Um time fraco pra cac*** e ficamos 90 minutos nos defendendo. O Brasil jogou com medo. Como querem algo se estão acabando com o Brasil?”
O ex-comandante também questionou a decisão de usar Neymar somente na fase final do torneio. O camisa 10 vinha se recuperando de lesão, mas teve condições de atuar, segundo o próprio jogador revelara antes da Copa.
“Colocar o Neymar só nesse jogo? Nós não temos jogador melhor. O treinador tem obrigação de montar o esquema para potencializar seu ídolo, como a Noruega fez com Haaland, esperando uma ou duas bolas decisivas. Aqui, quando você é muito bom, é descartado.”
Luxemburgo ainda lembrou o tabu brasileiro contra seleções europeias em Mundiais. Desde 2002, quando venceu Alemanha, Bélgica e Inglaterra rumo ao penta, o Brasil foi eliminado por adversários do Velho Continente em seis edições consecutivas: França (2006), Holanda (2010), Alemanha (2014), Bélgica (2018), Croácia (2022) e agora Noruega (2026).
A pressão sobre Ancelotti aumenta, principalmente porque o projeto que levou o italiano ao comando buscava romper justamente esse bloqueio. Ele assumiu no início de 2025, trazendo expectativa de modernização tática. O revés, entretanto, reacende o debate sobre a presença de um estrangeiro no banco da Seleção e sobre a valorização ou não de técnicos brasileiros.
Figuras ligadas ao futebol, como ex-jogadores e outros treinadores, começam a se manifestar. Segundo apuração de AjuNews, há dirigentes que defendem avaliações criteriosas antes de qualquer decisão apressada, lembrando que o ciclo até a próxima Copa América, em 2028, ainda pode ser reorganizado.
Por ora, a Confederação Brasileira de Futebol não anunciou mudanças nem se pronunciou oficialmente sobre o desabafo de Luxemburgo. Nos bastidores, contudo, cresce a expectativa de uma reunião ainda nesta semana para discutir o planejamento pós-Mundial. A torcida aguarda respostas enquanto o debate sobre identidade de jogo e comando técnico ganha força.
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