O recém-lançado Mapa da Disparidade, apresentado nesta terça-feira (23) pela Rede Nossa São Paulo, confirma o que muitos trabalhadores da capital paulista percebem no dia a dia: o salário pago a quem atua no Itaim Bibi, na zona sul, é 6,7 vezes maior do que o recebido por profissionais do Pari, na região central. De acordo com o estudo, a remuneração média mensal no Itaim Bibi alcança R$ 8.274, enquanto no Pari fica em módicos R$ 1.232,21, diferença de 85,1% entre os dois extremos.
Os números partem de dados oficiais da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e do Ministério do Trabalho e Emprego referentes a 2023. O cálculo considera a divisão da massa salarial nominal pelo total de empregos formais existentes em cada um dos 96 distritos paulistanos. Em toda a cidade, a média de rendimentos é de R$ 3.598,55.
Após o Itaim Bibi, os maiores salários aparecem em Alto de Pinheiros (R$ 8.115,83) e Santo Amaro (R$ 8.092,71). Também figuram entre os dez melhores colocados Moema, Jaguara, Jabaquara, Jardim Paulista, Bela Vista, Pinheiros e Campo Belo, todos com médias acima de R$ 5,8 mil.
No outro extremo estão Pari, São Miguel (R$ 2.014,62), Marsilac (R$ 2.077,31), Ponte Rasa, Tucuruvi, Itaim Paulista, Cachoeirinha, Artur Alvim, Lajeado e Guaianases, cujos salários médios variam de R$ 1,2 mil a R$ 2,3 mil.
O levantamento não se restringe à renda e cruza os salários com indicadores de saúde, educação e segurança. Na saúde, por exemplo, a idade média ao morrer chega a 82 anos em Alto de Pinheiros, mas cai para 62 anos na Cidade Tiradentes – uma diferença de duas décadas na expectativa de vida dentro da mesma metrópole.
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A mortalidade infantil reforça o contraste. Distritos como Moema, Jaguara, Perdizes e Marsilac registram índice zero de óbitos por mil nascidos vivos, ao passo que no Brás o coeficiente atinge 20,07 – o dobro da média municipal de 10,07.
Na educação, o tempo de espera por vaga em creche oscila de um dia, em bairros como Cidade Tiradentes e São Mateus, a 21 dias em Marsilac. Já a evasão no ensino fundamental da rede municipal vai de zero em Moema, Vila Mariana e Lapa a 1,58% em Santana.
No quesito segurança, quatro distritos – Consolação, Socorro, Lapa e Vila Sônia – não registram mortes por homicídio ou intervenção legal. A Sé, por sua vez, apresenta 25,2 ocorrências por 100 mil habitantes, a maior taxa da capital. O mesmo distrito lidera o índice de violência racial, com 13,79 casos para cada dez mil moradores, número 18,4 vezes superior ao de São Rafael (0,75).
Para a Rede Nossa São Paulo, os dados evidenciam a urgência de políticas públicas capazes de reduzir desigualdades salariais e seus impactos sobre qualidade de vida. O Mapa da Disparidade, segundo a organização, serve como ferramenta para orientar autoridades e sociedade civil na busca por uma cidade mais equilibrada e justa.
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