A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) saiu em defesa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) após a divulgação de vídeos nos quais a presidente do PL Mulher relata ter sido destratada pelo enteado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A parlamentar afirmou que nenhuma mulher deve ser menosprezada, mesmo considerando que Michelle “nunca” demonstrou solidariedade pública às mulheres supostamente ofendidas pela família Bolsonaro.
Na noite de quarta-feira, 24/06, Michelle publicou dois vídeos nas redes sociais. Ela relatou que, durante uma ligação telefônica, Flávio a humilhou, desrespeitou e aconselhou a ficar fora das decisões do partido por “não entender nada de política”. A ex-primeira-dama classificou o episódio como “uma punhalada”.
“Disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido, que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, contou Michelle.
Poucas horas depois, Maria do Rosário reagiu. Em postagem nas redes sociais, ela recordou o histórico de declarações consideradas ofensivas por integrantes da família Bolsonaro e se solidarizou com Michelle.
“Não basta ser mulher; é preciso ser solidária e justa com todas as mulheres. Os Bolsonaros sempre desrespeitaram mulheres. Flávio, além da corrupção toda, tenta se livrar da linha de ódio às mulheres do pai, mas é igualzinho. Sendo diferente, por coerência, reafirmo que nenhuma mulher deve ser menosprezada”, escreveu a deputada.
Rosário aconselhou que a ex-primeira-dama registre um Boletim de Ocorrência para, segundo ela, “denunciar a opressão”. A petista protagonizou um dos embates mais conhecidos com Jair Bolsonaro ainda em 2014, quando o então deputado afirmou que ela “não merecia ser estuprada”, fato que levou à condenação do ex-presidente por danos morais.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro usou dois momentos para responder. Primeiro, em uma transmissão ao vivo antes do início do jogo da Seleção Brasileira, afirmou que “nada nem ninguém” o aborrece. Depois, publicou um texto dizendo que é casado há 16 anos, pai de duas filhas e que “nunca desrespeitou, maltratou ou humilhou uma mulher”.
“Em nenhum momento ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se o fiz, peço desculpas. Tenho por ela respeito e reconhecimento pelo trabalho no PL Mulher, pelo cuidado com meu pai e por tudo o que representa para o Brasil”, escreveu o senador na plataforma X.
O episódio acontece em meio à pré-campanha presidencial de 2026, na qual Flávio Bolsonaro é apontado como nome do PL para disputar o Planalto. Já Michelle, à frente do braço feminino da sigla, tenta fortalecer a participação de mulheres na legenda. A troca de acusações evidencia tensões internas e levanta dúvidas sobre a coesão do partido a poucos meses das convenções.
Analistas políticos observam que o embate público pode impactar a estratégia do PL de ampliar o eleitorado feminino, considerado decisivo nas próximas eleições. Até o momento, nenhuma reunião formal entre os envolvidos foi anunciada para pacificar a situação.
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