A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) recebeu apoio público da deputada Marina Silva (Rede-SP) após relatar ter sido alvo de ofensas misóginas e ameaças nas redes sociais e fora delas. A manifestação solidária partiu de alguém que, historicamente, ocupa campo político oposto ao da ex-ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, mas que decidiu deixar diferenças de lado diante do teor dos ataques.
Em declaração divulgada nesta quinta-feira (03/07), Marina classificou as agressões como inaceitáveis.
“Nada justifica que uma mulher seja atacada, desqualificada ou constrangida por ser mulher. A misoginia, venha de onde vier e atinja quem atingir, precisa ser enfrentada com firmeza”, afirmou.
A parlamentar acrescentou que, quando uma figura feminina na vida pública sofre violência verbal ou simbólica, o efeito reverbera sobre todas as demais mulheres.
Damares contou, em discurso realizado no plenário do Senado na quarta-feira (01/07), ter sido chamada de “leviana” e “adúltera”. Ela relatou que mensagens ameaçaram a segurança de sua filha e exibiram montagens que simulavam violência contra a menina. A ofensiva teria se intensificado depois que a senadora apoiou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro no embate travado com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) dentro do partido.
A crise envolvendo a família Bolsonaro começou após um vídeo em que Michelle afirmou ter sido humilhada e maltratada por Flávio. A gravação resultou na saída da ex-primeira-dama da presidência do braço feminino da sigla, o PL Mulher, e aprofundou divisões entre aliados. Dentro desse contexto, Damares passou a figurar no centro da polêmica.
Durante o pronunciamento, a senadora destacou que, além das ameaças, alguns agressores “chegaram ao absurdo de colocar em dúvida se a mulher tem capacidade de votar”. A frase faz referência direta ao influenciador Paulo Figueiredo, conselheiro de Flávio Bolsonaro, que disse que “mulher vota mal”.
“Quando uma mulher na vida pública é alvo de agressões e tentativas de silenciamento, todas nós somos atingidas”, reforçou Marina Silva, estendendo a crítica a qualquer manifestação de ódio baseada em gênero.
Entidades do movimento feminino e colegas no Congresso Nacional também reagiram. Parlamentares de diferentes bancadas defenderam investigação sobre as ameaças para identificar os responsáveis. Procuradores da Mulher no Senado e na Câmara mencionaram a possibilidade de acionar a Polícia Legislativa e o Ministério Público.
Especialistas em direito digital alertaram que crimes de ameaça e incitação à violência podem resultar em pena de reclusão, além de indenizações por danos morais. Já analistas políticos enxergaram, na aproximação entre Marina e Damares, um sinal de que a temática de defesa dos direitos das mulheres pode suplantar alinhamentos partidários quando a violência de gênero atinge níveis extremos.
Por enquanto, Damares disse que reforçou a segurança da família e que vai encaminhar todo o material ofensivo às autoridades competentes. Nos bastidores, líderes partidários avaliaram que o episódio deve acirrar o debate sobre misoginia no ambiente político e nas plataformas digitais, tema que pode ganhar espaço na pauta legislativa das próximas semanas.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.




