O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho (PT), comentou HOJE, quarta-feira (24), a situação do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Durante a apresentação da versão mensal da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), na sede da pasta em Brasília, Marinho afirmou que seria plausível um afastamento temporário do senador enquanto a Polícia Federal aprofunda a investigação sobre suposta relação do parlamentar com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, no âmbito das apurações sobre o Banco Master.
Marinho, que compartilha trajetória política com Wagner desde os tempos do movimento sindical, declarou ter “profundo respeito” pela atuação do colega no Congresso, mas avaliou que a permanência na função de articulador do Planalto pode dificultar a própria defesa do senador.
“Às vezes, a pessoa tem que deixar a sua posição para se defender. De repente, se justifica deixar a liderança e o presidente nomear outra liderança. É o que eu faria. Estou falando uma avaliação pessoal. Quem decide é o presidente Lula”, afirmou o ministro.
A operação da PF que mira possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master ocorreu no início da semana. Mandados de busca foram cumpridos em endereços ligados a empresários e a assessores parlamentares. Até o momento, Wagner não foi indiciado, mas relatórios policiais citam indícios de repasses financeiros que precisariam de esclarecimento. A investigação ainda corre sob sigilo.
Questionado sobre eventuais impactos políticos, Marinho lembrou que cabe exclusivamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolher o líder do governo no Senado. O ministro destacou que qualquer eventual substituição seria provisória, uma vez que o foco principal, segundo ele, é garantir que o parlamentar concentre esforços na sua defesa sem comprometer a tramitação de matérias de interesse do Executivo.
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“Liguei para o Jaques um dia posterior à operação para prestar a minha solidariedade, porque eu sei que ele sofreu uma devastação em 2018 e comprovou-se sua inocência. Eu torço para que, de fato, não tenha absolutamente nada em relação a ele no caso Master”, relatou Marinho.
Nos bastidores, parlamentares aliados citam que, caso Lula opte pela troca, nomes com trânsito no Senado, como os dos líderes governistas nas comissões temáticas, surgem como alternativas. Contudo, até o momento, o Palácio do Planalto não sinalizou qualquer decisão. Auxiliares do presidente argumentam que o desenrolar da investigação será determinante.
Jaques Wagner não se manifestou publicamente nesta quarta-feira, mas, em notas anteriores, negou ter cometido irregularidades e disse confiar na rápida solução do caso. O senador lembra que, em 2018, respondeu a acusações semelhantes e foi absolvido pela Justiça.
Enquanto isso, líderes partidários avaliam que a agenda do governo no Senado — especialmente projetos econômicos prioritários — exige articulação permanente. Uma eventual mudança na liderança, afirmam, teria de ocorrer sem prejuízo ao calendário legislativo.
Para Luiz Marinho, entretanto, a hipótese de afastamento não deve ser vista como punição, mas como medida prudencial: permitiria ao senador dedicar-se integralmente à sua defesa e, ao mesmo tempo, facilitar a sustentação parlamentar do Executivo. A decisão final, concluiu o ministro, está nas mãos de Lula, que, segundo ele, acompanhará os desdobramentos “com serenidade”.
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