A eliminação do Brasil para a Noruega por 2 a 1, nas oitavas de final da Copa do Mundo, segue rendendo repercussões no meio esportivo. Neste domingo (5), o comentarista Mauro Cezar Pereira fez uma análise contundente do trabalho de Carlo Ancelotti e apontou as substituições do técnico italiano como fator decisivo para a queda precoce da equipe canarinho.
Segundo o jornalista, o treinador mexeu de forma equivocada na estrutura tática que vinha sendo desenhada desde o início do torneio. Até a metade do segundo tempo, o jogo estava empatado em 1 a 1, mas as mudanças alteraram o desenho ofensivo e permitiram que o adversário aproveitasse espaços. A pressão aumentou quando, aos 41 minutos, Håland marcou o gol da virada norueguesa, consolidando a classificação europeia.
“Quando ele colocou o Neymar em campo, o jogo ficou totalmente favorável à Noruega. Ali acabou. Ancelotti enterrou o time brasileiro e morreu abraçado com o Neymar, que nem deveria ter ido”, criticou Mauro Cezar.
A entrada de Neymar, ausente de parte da preparação por conta de recuperação física, foi eleita pelo comentarista como o principal erro. O camisa 10 entrou depois do intervalo, anotou de pênalti nos acréscimos, mas, na avaliação de Mauro, não conseguiu imprimir intensidade suficiente para mudar o panorama.
O analista também ressaltou números que evidenciam a superioridade norueguesa na posse de bola. Durante o primeiro tempo, o Brasil registrou apenas 35% de posse, marca mais baixa da Seleção em Copas desde que o levantamento estatístico começou a ser feito. “Esse modelo de esperar o adversário não combina com a história da Seleção”, apontou.
Mauro atribuiu parte da responsabilidade à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pelas constantes trocas de comando técnico e diretivo. “Cerca de 70% da culpa passa pelo modo como o futebol nacional vem sendo conduzido”, disse, citando a falta de sequência e planejamento como obstáculos ao desempenho em campo.
Embora a derrota tenha surpreendido parte da torcida, o jornalista relembrou que o sinal de alerta já havia sido ligado nos compromissos da fase de grupos, quando o Brasil terminou em segundo lugar da chave. Para ele, os ajustes ofensivos não foram suficientes para dar consistência ao setor defensivo, vulnerável aos contra-ataques noruegueses liderados por Ødegaard e Håland.
Questionado sobre o futuro de Ancelotti à frente da Seleção, Mauro evitou afirmar se a CBF deverá buscar outro comandante, mas destacou a pressão que recai sobre a comissão técnica. “Tudo dependerá da capacidade de avaliação interna e do entendimento de que é preciso repensar filosofia e convicções”, argumentou.
Com a queda frente à Noruega, o Brasil encerra a campanha na Copa sem alcançar as quartas de final, algo que não acontecia desde 1990. O resultado acelera discussões sobre qual caminho a Seleção deve trilhar até o próximo ciclo mundialista. Para Mauro Cezar, qualquer resposta passará por uma revisão profunda na forma como o futebol brasileiro é planejado e executado.
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