Comentário do presidente americano no G7 gerou crise diplomática com a Itália. A premiê italiana reagiu ao constrangimento público cancelando encontro oficial com Trump.
Um comentário feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desencadeou um mal-estar diplomático com a Itália nesta sexta-feira (19). Após o término de uma das sessões da cúpula do G7, realizada no balneário de Apúlia, Trump relatou a uma emissora italiana que a primeira-ministra Giorgia Meloni teria “implorado” por uma foto a seu lado e que ele teria aceitado o pedido “por pena”.
De acordo com a declaração do norte-americano, Meloni estaria “muito ansiosa” para aparecer ao seu lado no registro oficial. Trump afirmou que poderia ter recusado, mas decidiu atender ao pedido. O tom foi visto em Roma como desrespeitoso e, em poucos minutos, transformou um gesto diplomático de rotina em crise pública.
“Ela me implorou para tirar uma foto com ela. Tive pena dela”
Ao tomar conhecimento das falas, a líder italiana reagiu de forma dura nas redes sociais. Em um vídeo de pouco mais de dois minutos, Meloni disse estar “espantada” com o que chamou de “declarações completamente inventadas” e cobrou postura equivalente do aliado norte-americano quando se trata de países adversários do Ocidente.
“Não sei por que o presidente dos Estados Unidos se comporta assim com seus próprios aliados; não é a primeira vez que isso acontece. Só posso dizer que é decepcionante que ele não tenha a mesma determinação com os inimigos do Ocidente. Mas há uma coisa que devemos lembrar: a Itália e eu não imploramos”
O vídeo, divulgado no início da tarde, rapidamente ganhou repercussão e provocou a primeira consequência concreta: o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, cancelou a viagem oficial que faria a Washington nos dias 21 e 22 de junho. Ele classificou as palavras de Trump como “graves e ofensivas” não apenas contra a chefe de governo, mas contra todo o país.
“As palavras de Trump ofendem toda a Itália; por esse motivo, decidi anular a visita”
A decisão surpreende porque Roma e Washington vinham reforçando a cooperação em temas como segurança energética e defesa. Analistas observam que a turbulência acontece justamente quando os dois países buscavam alinhar posições no conflito no Leste Europeu e nas negociações comerciais com a União Europeia.
Diplomatas consultados avaliam que o episódio pode esfriar as agendas bilaterais até que algum gesto de reconciliação ocorra. Fontes próximas ao Palácio Chigi afirmam que Meloni espera um esclarecimento formal da Casa Branca antes de retomar conversas de alto nível. Já a equipe de Trump, questionada sobre a repercussão, limitou-se a dizer que o presidente “já se manifestou sobre o assunto”.
Embora fotos e gestos protocolares sejam comuns em encontros multilaterais, a maneira como o episódio foi tornado público contrariou o tradicional código de discrição diplomática. O clima no centro de convenções do G7 passou de cortesia a tensão em questão de horas. Observadores indicam que outros líderes, como o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, e o presidente da França, Emmanuel Macron, procuraram conversar separadamente com Meloni para entender se a crise poderia contaminar negociações conjuntas.
Até o final desta sexta, não havia sinal de contato direto entre Trump e Meloni para pacificar o incidente. Assessores na comitiva italiana reforçam que a primeira-ministra continuará participando das sessões do G7, mas estudará a conveniência de encontros bilaterais previstos para os próximos dias.
Com agendas internacionais cada vez mais expostas em tempo real, o episódio ilustra como uma frase solta pode se transformar em atrito diplomático de grandes proporções, exigindo habilidade política para evitar que diferenças de tom comprometam alianças estratégicas.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.








