O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aluizio Mercadante, classificou como “inaceitável” a proposta do pré-candidato à Presidência pelo Partido Liberal, Flávio Bolsonaro (RJ), de convidar os Estados Unidos a integrar a equipe de transição caso ele vença as eleições de outubro.
Mercadante deu a declaração após participar, no Rio de Janeiro, do lançamento de projetos de recuperação da Mata Atlântica promovidos pela Federação das Indústrias do Estado (Firjan). Segundo ele, permitir que autoridades estrangeiras acompanhem a passagem de governo abriria acesso a informações estratégicas.
“Acesso dos EUA a dados de terras raras e da Margem Equatorial é risco soberano. Falo como quem fez parte do grupo de transição; são informações estratégicas”, afirmou.
O economista recordou que, ao integrar a equipe de transição entre o governo de Jair Bolsonaro e o de Luiz Inácio Lula da Silva, teve contato com dados sigilosos no Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes). Lá, visualizou mapas do subsolo da Margem Equatorial, região comparada ao pré-sal pela existência de reservas de petróleo e gás. “Essas informações nunca vazaram”, destacou.
Ele ainda citou a visita ao Ministério da Defesa durante o mesmo processo, quando tomou conhecimento das prioridades militares do País. “Você vê todas as necessidades de defesa, onde vão investir”, exemplificou, reforçando que esses detalhes não deveriam ultrapassar fronteiras institucionais brasileiras.
No caso do BNDES, o dirigente mencionou estudos sobre terras raras e minerais críticos, materiais indispensáveis à transição energética e à indústria de tecnologia avançada.
“Isso aqui é o mapa da mina dos minerais estratégicos do País. Como se pode oferecer a uma nação estrangeira que participe da transição e tenha acesso a essas informações?”, questionou.
A polêmica veio à tona depois de uma carta do senador norte-americano Marco Rubio dirigida a Flávio Bolsonaro, revelando que o pré-candidato havia convidado Washington a colaborar na eventual transição.
Mercadante avaliou que a mera formulação da proposta já representa ameaça à soberania nacional, ainda que a participação efetiva dos EUA dependa de vitória eleitoral de Flávio.
“Mas isso só aconteceria se ele vencesse a eleição, e isso não vai acontecer”, concluiu o presidente do BNDES.
Ao longo de sua fala, o gestor sublinhou que governos são responsáveis por proteger dados sensíveis, independentemente da orientação política. Para ele, permitir a interferência de outro país em etapa tão delicada comprometeria a capacidade do Estado de conduzir suas políticas de defesa, energia e desenvolvimento industrial.
Flávio Bolsonaro não comentou publicamente a reação de Mercadante até o momento. A equipe do pré-candidato sustenta que a cooperação internacional seria benéfica para atrair investimentos e modernizar práticas administrativas, mas a proposta continua a gerar críticas entre especialistas em soberania e segurança estratégica.
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