Em reunião realizada no dia 30/06, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro formalizou sua saída da presidência nacional do PL Mulher, braço feminino do Partido Liberal. Com a decisão, ela renunciou ao contracheque de R$ 33.848,30 que vinha recebendo mensalmente desde janeiro, conforme demonstrativos financeiros encaminhados pela legenda ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Dados da prestação de contas mostram que, entre janeiro e abril de 2026, o valor pago à então dirigente somou R$ 135.393,20. O salário estava previsto para permanecer estático ao longo do ano, mas será interrompido após o desligamento.
A reunião que sacramentou a mudança ocorreu na sede do PL Mulher, em Brasília, e contou com a presença do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto. Segundo interlocutores, não houve divergência sobre a rescisão nem discussão sobre possível novo cargo para Michelle dentro da estrutura partidária.
“Eu preciso me dedicar integralmente ao cuidado do meu marido neste momento”, afirmou a ex-primeira-dama em nota distribuída à imprensa logo após o encontro.
Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde que foi condenado a 27 anos de reclusão por tentativa de golpe de Estado. A situação judicial do ex-chefe do Executivo tem exigido atenção diária da família e foi citada por Michelle como principal razão para o afastamento das atividades partidárias.
O movimento acontece enquanto o senador Flávio Bolsonaro, enteado de Michelle, articula sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto pelo PL. Dentro da sigla, dirigentes admitem que as recentes tensões familiares influenciaram na decisão da ex-primeira-dama, mas frisam que a saída foi “amistosa” e “sem traumas”. Até o fechamento desta matéria, Flávio não se manifestou publicamente sobre o assunto.
Em conversas reservadas, aliados de Michelle dizem que ela ainda avalia disputar um cargo eletivo, possivelmente o Senado pelo Distrito Federal, mas repete que qualquer passo só será dado “no tempo certo” e em consonância com o marido. Enquanto isso, dirigentes do PL buscam um nome de consenso para comandar o núcleo feminino do partido. A expectativa é que a escolha recaia sobre uma deputada com forte inserção nas bancadas regionais, a fim de manter o ritmo de expansão atribuído a Michelle nos últimos dois anos.
Dentro do partido, a saída da ex-primeira-dama é vista como perda temporária de capital político, mas há quem aposte no retorno dela à cena eleitoral na reta final das convenções, caso o ambiente familiar permita. Por ora, a prioridade de Michelle é a rotina em Brasília, onde acompanha os trâmites do processo de Jair Bolsonaro e administra compromissos institucionais já assumidos antes do afastamento.
Com a renúncia ao salário, o PL economizará cerca de R$ 236 mil até dezembro, valor que poderá ser realocado em programas de formação política de mulheres, uma das bandeiras que Michelle defendia na sigla. Dirigentes avaliam, ainda, uma reestruturação no orçamento do núcleo feminino para garantir continuidade às caravanas regionais planejadas para o segundo semestre.
Analistas políticos observam que, apesar do afastamento, o sobrenome Bolsonaro mantém forte apelo junto ao eleitorado conservador. A depender do cenário eleitoral e dos desdobramentos judiciais, a ex-primeira-dama pode voltar aos holofotes para impulsionar candidaturas alinhadas ao grupo familiar.
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