Fluente em Língua Brasileira de Sinais (Libras) desde que começou a se comunicar com um tio surdo na adolescência, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a usar as redes sociais HOJE, sexta-feira (3), para reforçar seu engajamento em prol da inclusão. Desta vez, o foco foi a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, apresentada recentemente pelo Ministério da Educação (MEC) e celebrada por Michelle como um avanço importante para a comunidade surda no país.
A medida, anunciada pelo MEC, estabelece a educação bilíngue – com Libras como primeira língua e o português escrito como segunda – como modalidade autônoma, separada da Educação Especial. Segundo a pasta, a nova diretriz pretende garantir escolas e classes específicas, formação de professores especializados e material didático adaptado, assegurando mais acessibilidade e autonomia aos estudantes.
Ao comentar o lançamento, Michelle destacou que a política atende a uma reivindicação histórica de pessoas surdas, alinha-se a tratados internacionais de direitos humanos e contribui para ampliar oportunidades de estudo e trabalho.
“Promove maior autonomia e protagonismo para a comunidade surda”, escreveu a ex-primeira-dama, em publicação que recebeu milhares de curtidas em poucas horas.
O elogio ganhou repercussão extra porque ocorreu em meio a divergências internas na família Bolsonaro. No fim de junho, Michelle gravou um vídeo em que relatou ter sido “humilhada” e “maltratada” pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Na gravação, feita no dia 24/06, ela aparece utilizando o sinal de mão que significa “eu te amo” em Libras, gesto que se tornou marca registrada desde o início do governo de Jair Bolsonaro, em 2019.
A ex-primeira-dama consolidou sua imagem de defensora da causa surda ainda na posse presidencial de 1º de janeiro de 2019, quando quebrou protocolos ao discursar inteiramente em Libras. O momento foi considerado emblemático por ativistas, reforçando a necessidade de políticas públicas que transcendam governos e partidos.
Na postagem de HOJE, Michelle relembrou sua trajetória com a língua de sinais: após o contato inicial com o tio, aprofundou o aprendizado no convívio com um casal de amigos surdos de sua igreja. Esse envolvimento culminou em projetos sociais, campanhas de doação de aparelhos auditivos e participação em seminários sobre acessibilidade.
A Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos prevê, entre outros pontos, a criação de Centros de Atendimento Educacional Especializado, a formação continuada de professores ouvintes e surdos, e a produção de materiais pedagógicos bilíngues. Para especialistas, a iniciativa pode reduzir índices de evasão escolar e melhorar a inserção de jovens surdos no ensino superior.
Michelle encerrou a publicação reafirmando a importância de políticas de Estado que transcendam disputas partidárias. A mensagem, compartilhada por líderes de organizações de surdos, motivou pedidos para que o Congresso agilize a tramitação de projetos complementares, como o que propõe a oficialização de Libras como língua cooficial nos sistemas de ensino estaduais e municipais.
Mesmo sem ocupar cargo público, a ex-primeira-dama mantém influência sobre parte do eleitorado conservador, que costuma acompanhar suas ações voltadas à inclusão. Observadores políticos ressaltam que o apoio dela à proposta do MEC indica que pautas sociais podem aproximar setores antes alinhados apenas em temas econômicos ou de segurança.
Até o momento, o Ministério da Educação não divulgou o cronograma completo para implementação da nova política, mas adianta que as primeiras formações de professores de Libras devem ser iniciadas ainda neste segundo semestre. Organizações de surdos planejam acompanhar de perto o processo, monitorando repasses orçamentários e a adaptação de escolas.
Com o gesto de HOJE, Michelle sinaliza que continuará atuando como voz ativa em defesa da educação inclusiva, independentemente do ambiente político. A comunidade surda recebe o apoio como reforço simbólico de que a luta pela acessibilidade segue acima de legendas partidárias.
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