Michelle Bolsonaro (PL) usou as redes sociais neste sábado, 04/07, para tentar estancar a onda de críticas que se espalhou entre apoiadores de Jair Bolsonaro depois que ela elogiou, na sexta-feira (03/07), a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, lançada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva. A ex-primeira-dama reiterou seu apoio ao público com deficiência auditiva e defendeu que a causa “está acima de qualquer ideologia ou partido”.
“A defesa das pessoas com deficiência é uma pauta que está acima de qualquer ideologia ou partido”, escreveu.
No mesmo texto, Michelle lembrou que, em 2023, Jair Bolsonaro sancionou a Lei Amália Barros, proposta elaborada por uma deputada do PT que reconheceu a visão monocular como deficiência sensorial. Segundo ela, o ex-presidente avaliou o mérito do projeto sem considerar a sigla que o apresentou. A ex-primeira-dama adotou o mesmo argumento para sustentar que políticas públicas devem priorizar o impacto social em vez da disputa política.
Michelle também declarou que a política de educação bilíngue comemorada agora teve origem técnica ainda no governo Bolsonaro, mas sua implementação foi adiada devido a uma ação judicial. De acordo com ela, esse impasse jurídico teria impedido a formalização antes da troca de governo. Apesar de reforçar a participação da gestão anterior, a ex-primeira-dama afirmou que a prioridade deve ser os beneficiários do programa.
“O mais importante não é quem assina a política, mas quem vai ser transformado por ela. Parabéns à comunidade surda!”
A publicação buscou conter a repercussão negativa entre parlamentares e influenciadores alinhados ao bolsonarismo. Na sexta-feira, vários perfis acusaram Michelle de “traição” e divulgaram montagens que a associavam ao Partido dos Trabalhadores. A reação reforçou tensões já existentes no Partido Liberal.
Na semana anterior ao episódio, Michelle tornara público um desentendimento com o senador Flávio Bolsonaro, seu enteado. Em um vídeo, ela relatou ter sido tratada com desrespeito durante uma ligação. Flávio pediu desculpas em nota, mas o episódio acentuou divergências internas. Dias depois, Michelle deixou a presidência do PL Mulher, ala feminina da sigla. A saída foi vista internamente como mais um reflexo de atritos na cúpula do partido.
Lideranças da sigla agora avaliam o impacto das declarações tanto no núcleo bolsonarista quanto entre eleitores com deficiência auditiva, público que tradicionalmente acompanha as ações da ex-primeira-dama. Enquanto isso, Michelle segue defendendo a pauta da inclusão e insiste que a mobilização pela acessibilidade deve unir diferentes correntes políticas.
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