A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deixou claro que não pretende ocupar a vaga de vice-presidente numa eventual chapa encabeçada pelo ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema nas eleições de 2026. Em mensagens publicadas nas redes sociais, ela respondeu às declarações de Zema que, em entrevista recente, considerou seu nome por ser “ficha limpa” e símbolo de forte apelo eleitoral junto ao eleitorado conservador.
“Isso não pode sequer ser cogitado”, escreveu Michelle, encerrando especulações que já circulavam nos bastidores de Brasília.
Segundo a ex-primeira-dama, o principal impedimento é partidário. Filiada ao PL, ela lembrou que a legenda trabalha para lançar outro pré-candidato: o senador Flávio Bolsonaro, enteado dela e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Dessa forma, uma aliança com o partido de Zema – o Novo – seria, no mínimo, improvável.
Michelle acrescentou que ainda não definiu se disputará algum cargo em 2026, embora aliados citem a possibilidade de concorrer ao Senado. Por ora, afirmou que sua atenção está voltada ao cotidiano familiar. Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária desde março, por ordem judicial, devido a um conjunto de comorbidades que afetam o sistema digestivo e o sistema nervoso.
“Minha prioridade no momento é cuidar da saúde do meu marido e da nossa família”, reforçou.
O convite informal de Zema e a negativa pública de Michelle acontecem em meio a um atrito dentro do próprio núcleo bolsonarista. Flávio e a madrasta protagonizaram recentes divergências sobre o comando da futura campanha presidencial do PL, acentuando rumores de divisão interna.
Interlocutores de Zema dizem que o ex-governador buscava uma vice de projeção nacional e boa rejeição zero em investigações para ampliar alianças. A resposta de Michelle, porém, pegou a equipe mineira de surpresa e obrigou a revisão de cenários eleitorais. Apesar disso, pessoas próximas ao político afirmam que ele manterá conversas com outros nomes do campo conservador.
Analistas políticos enxergam na postura de Michelle um movimento para resguardar capital eleitoral. Pesquisas internas do PL indicam que ela possui índices de aprovação superiores aos de figuras tradicionais da direita, o que explicaria a cautela em se comprometer antecipadamente. Além disso, há preocupação com o impacto que a situação jurídica de Jair Bolsonaro pode ter sobre qualquer futura campanha ligada ao seu sobrenome.
Enquanto isso, nas redes sociais, apoiadores do ex-presidente dividiram-se. Alguns elogiaram a lealdade de Michelle ao partido e à família; outros defenderam que a união com Zema poderia fortalecer a oposição ao atual governo federal. O partido Novo, por sua vez, divulgou nota breve reiterando o respeito à decisão da ex-primeira-dama e prometendo seguir “dialogando com todas as lideranças comprometidas com reformas liberais”.
Com a negativa, o xadrez eleitoral de 2026 permanece indefinido. Zema seguirá à procura de um nome de consenso, ao passo que o PL deve acelerar as conversas internas para confirmar, ou não, a indicação de Flávio Bolsonaro como cabeça de chapa. Em meio a esses movimentos, Michelle mantém a incógnita sobre qual será, de fato, seu papel político nos próximos meses.
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